quinta-feira, 28 de maio de 2009

Pablo Neruda

É assim que te quero, amor, 
assim, amor, é que eu gosto de ti, 
tal como te vestes 
e como arranjas 
os cabelos e como 
a tua boca sorri, 
ágil como a água 
da fonte sobre as pedras puras, 
é assim que te quero, amada, 
Ao pão não peço que me ensine, 
mas antes que não me falte 
em cada dia que passa. 
Da luz nada sei, nem donde 
vem nem para onde vai, 
apenas quero que a luz alumie, 
e também não peço à noite explicações, 
espero-a e envolve-me, 
e assim tu pão e luz 
e sombra és. 
Chegastes à minha vida 
com o que trazias, 
feita 
de luz e pão e sombra, eu te esperava, 
e é assim que preciso de ti, 
assim que te amo, 
e os que amanhã quiserem ouvir 
o que não lhes direi, que o leiam aqui 
e retrocedam hoje porque é cedo 
para tais argumentos. 
Amanhã dar-lhes-emos apenas 
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha 
que há-de cair sobre a terra 
como se a tivessem produzido os nosso lábios, 
como um beijo caído 
das nossas alturas invencíveis 
para mostrar o fogo e a ternura 

de um amor verdadeiro. 

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