segunda-feira, 19 de julho de 2010

"Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito perigoso..."

João Guimarães Rosa

DZI CROQUETTES

Fui ver no Reserva Cultural e achei surpreendente.

A trajetória do irreverente grupo carioca Dzi Croquettes, que marcou o cenário artístico brasileiro nos anos 70. O conjunto contestava a ditadura por meio do deboche e da ironia e defendia a quebra de tabus sociais e sexuais. O grupo é lembrado por depoimentos de artistas e amigos como Liza Minnelli, Ron Lewis, Gilberto Gil, Nelson Motta, Marília Pêra, Ney Matogrosso, Betty Faria, José Possi Neto, Miéle, Jorge Fernando, César Camargo Mariano, Cláudia Raia, Miguel Falabella, Pedro Cardoso e Norma Bengell. Eles eram Wagner Ribeiro, Lennie Dale, Cláudio Tovar, Cláudio Gaya, Ciro Barcellos, Bayard Tonneli, Rogério de Poli, Carlinhos Machado, Paollete, Roberto Rodrigues, Jorge Fernando, Eloy, Bene, Reginaldo.
“Hoje, observando de fora, vejo a vanguarda. Nem nós conseguimos superar aquilo. Não somos homens, nem mulheres, somos gente. Era isso que o Lennie (Dale) falava”, lembra o cenógrafo Cláudio Tovar sobre o dançarino que fazia as coreografias.
Muito bom!!! Dança, música, humor, década de 70, deboche, alegria, emoção!

sábado, 10 de julho de 2010

Blues da Piedade

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas

Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia

Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça

Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Cazuza

terça-feira, 6 de julho de 2010

Aos Poetas - Miséria

Artista! Se te oprime a esquálida miséria,
Se a grande falta de ouro amarra as tuas asas,
Rojando-te no chão, na lama da matéria,
Mesclando a fome vil ao sonho em que te abrasas.

Não te importe o clamos dessas turbas tão rasas,
Não te importe o pungir da carne deletéria,
Num sol de veludo ou num solo de brasas,
Caminha, fito o olhar numa esperanaça etérea.

Que te importa o banal? A propriedade? O Mundo?
Se te negam o pão, usa a força, expropria;
Em vez de te humilhar, faze-te vagabundo!

Vibra o pletro de luz por esse mundo fora,
Mas lega, quando morto, à multidão sombria,
Um grito de revolta e uma estrofe sonora.

(Soneto libertário, impresso sem nome do autor e outras referências).
"mandar como obedecer é covardia: degrada, avilta, imbeciliza" (maria lacerda de moura).
''Origem das duas Fridas. Recordação. Devia ter 6 anos quando vivi intensamente a amizade imaginária com uma menina de minha idade. (...) Não me lembro de sua imagem, nem de sua cor. Porém sei que era alegre e ria muito. Sem sons. Era ágil e dançava como se não tivesse nenhum peso. Eu a seguia em todos os seus movimentos e contava para ela, enquanto ela dançava, meus problemas secretos. Quais? Não me lembro. Porém ela sabia, por minha voz, de todas as minhas coisas...''

Diário de Kahlo, sobre a tela As Duas Fridas

06 de julho de 1907 - nascimento de Frida Kahlo

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Não discuto

não discuto
com o destino

o que pintar
eu assino

Paulo Leminsk
sinto e vejo a noite passar... é hora de mudar, de deixar que as mudanças aconteçam, é hora de não ter medo. o tempo aponta a força do vento... a vida chama... basta seguir em frente.
Feliz é a inocente vestal!
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças
Toda prece é ouvida, toda graça se alcança

Alexander Pope

sexta-feira, 2 de julho de 2010

um momento pra pensar. quem fui, quem sou, quem posso ser. sou muitas coisas. não sou nada. sou o que sonho e o que vejo. sou a saudade. sou cada passo que dou. sou a lembrança, a sua lembrança. sou a voz que o vento carrega. sou tudo que já vivi. sou o que vivo agora. sou silêncio. sou a palavra que ainda precisa ser dita.