sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Delírio

Dá o seu gosto de desejo
Dá os seus olhos de menino
Sem regra ou comprometimento
Sem se importar com que for vendo
Nossa sede de liberdade
Eu quero é dançar da forma que me der
A música expondo o seu corpo à vontade
Nas incontáveis formas de se divertir
Dá o seu gosto de desejo
Dá o seu beijo despojado
Seus pensamentos mais intensos
O seu rosto de pecado
Nos gemidos que desordenam
Nas mãos que me fazem entender
AdãoA música expondo seu corpo ao delírio
Nas incontáveis formas de se divertir

Vanessa da Mata

Silêncio

Tento não pensar no porque do teu silêncio... no porque da sua ausência por tanto tempo... nenhum sinal, nenhuma palavra, nada... O seu nada esvazia o meu tudo por você!

Clarear

Bobagem

Tanto por viver... por ver...
“Tempo cíclico... o eterno retorno... o medo do improviso... do novo”. Quanta bobagem...
Quanto tempo perdido...
Quanto a se fazer, pensar, mudar, pensar de novo, rir, sonhar, acreditar...
Medo de reconhecer por quem o coração bate... mas medo de ver que há algo além disso também...
Ás vezes é melhor não fazer nada, apenas deixar acontecer...
A saudade dói, e a presença se torna mais forte, mais sua, mais “cheia de vazios”.

Clarear

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Elis

"Eu sou do contra. Não vão me dirigir não. Decifra-me ou devoro-te? Não vai me devorar nem eu me decifrar, nunca. Eu sou a esfinge, e daí? " Elis Regina

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Indiferente?

Não dá pra negar que o tempo muda tudo, até mesmo aquele sentimento que você achava que estava tão enraizado e que ia doer pra sempre.... permanente mesmo, só a mudança! Muitos outros sentimentos surgem e tomam lugar num universo totalmente novo e livre! Sentimentos que não precisam durar uma vida inteira, que podem ir e vir, que podem ficar... que podem fazer sorrir, sentir, que podem libertar, que podem adormecer e acordar, que podem apenas mostrar que a vida é feita de desafios, que ficar parado, que querer sempre o equilíbrio de tudo, é doença, é medo, é falta de coragem de seguir em frente. Repetição de erros é paranóia... repetição de acusações, de palavras soltas, de tentativas de criar prisões, é medo de assumir que tudo mudou e que não há mais volta. O tempo atropela tudo... não dá pra querer voltar e começar do mesmo ponto em que alguém acha que ali a vida parou. Recomeço.... não é voltar atrás... o nome diz... é um começar de novo, uma nova história, novas possibilidades, novos sentimentos, novos caminhos que se abrem, sem olhar atrás, sem remoer memórias, sem querer machucar por ver que a vida também aconteceu pra quem você deu às costas. A vida aconteceu e continuará acontecendo... "o carro alegre da história" vai continuar seguindo, e vai "atropelar indiferente", todo aquele que a negar.
Clarear 26.02.2008 madrugada

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Do seu lado

Faz muito tempo, mas eu me lembro... você implicava comigo
Mas hoje eu vejo que tanto tempo me deixou muito mais calmo
O meu comportamento egoísta, o seu temperamento difícil
Você me achava meio esquisito e eu te achava tão chata
Mas tudo que acontece na vida tem um momento e um destino
Viver é uma arte, é um ofício
Só que precisa cuidado
Prá perceber que olhar só prá dentro é o maior desperdício
O teu amor pode estar do seu lado...

Do Seu Lado - Nando Reis

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Aquela coisa piégas que se chama saudade....
Alertem todos alarmas Que o homem que eu era voltou A tribo toda reunida Ração dividida ao sol De nossa Vera Cruz Quando o descanso era luta pelo pão E aventura sem par Quando o cansaço era rio E rio qualquer dava pé E a cabeça rodava Num gira-girar de amor E até mesmo a fé Não era cega nem nada Era só nuvem no céu e raiz Hoje essa vida só cabe Na palma da minha paixão De Vera nuca se acabe Abelha fazendo o seu mel No canto que criei Nem vá dormir como pedra E esquecer o que foi feito de nós.

O que foi feito de Vera
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

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O homem que eu era voltou!
Não esquecer o que foi feito de nós...
a cabeça gira, em um gira... girar de amor....
a fé não cega, nem nada....
é só nuvem no céu e raiz...
será que a vida ainda cabe na palma da minha paixão?


Clarear

Frida... a verdade, a dor e a vida.




Moderna, intensa...

realista?

da própria realidade, dizia ela...

existência e embate:

"Para que preciso de pés se tenho asas pra voar?"


"Espero a partida com alegria...e espero nunca mais voltar...Frida"

Goya


Aldeia de Fuendetodos
Nordeste da Espanha
Ali os ventos uivam durante o gélido inverno
e o sol queima a paisagem no verão


Seu talendo foi observado em Saragoça
Surdo... buscou idéias no fundo de si mesmo
Imagens brutalmente realistas
fantásticas e oníiricas
contraditório...
pintor da corte.... ou crítico?
Sombrios monstros se ocultam nas mentes dos seres humanos
E a loucura... vários tipos dela...
"Los Caprichos"
1799
Esnobismo à aristocracia
"Asnos"
"O sono da razão produz monstros"
Demômios potenciais da imaginação humana quando a razão é desprezada.
Touradas
esporte.. ritual...
morte... e vida!


Clarear

Santa Chuva

....
Quem é você pra me chamar aqui Se nada aconteceu? Me diz? Foi só amor? Ou medo de ficar Sozinho outra vez? Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem... A chuva já passou por aqui Eu mesma que cuidei de secar Quem foi que te ensinou a rezar? Que santo vai brigar por você? Que povo aprova o que você fez? Devolve aquela minha TV Que eu vou de vez Não há porque chorar Por um amor que já morreu Deixa pra lá Eu vou, adeus Meu coração já se cansou de falsidade...

Maria Rita e Marcelo Camelo

Luta de Classes!

Engels: — Aí Marx, os moleque da 6ª. F tão levando uma.
Marx:— Demorô, vamo lá ensinar esses comédia que ninguém mexe com a 6ª. A!
Vou chegar na voadora!iiiiiiiiééééééé!!!!! [x3]
Roosevelt:— Bando de merdinhas, todo mundo pra diretoria já! Hoje vocês conhecerão o Big Stick!
...
Havia uma beleza ali?
Ou era criatividade minha?

...

(Zé - Vanessa da Mata)

Bergman


“Fiz alguns filmes maus que, no entanto, me são queridos. Realizei também filmes, objectivamente considerados bons, que me são indiferentes. Outros estão submetidos, o que é cómico, às minhas mudanças de conceitos. Por vezes, acontece alguém dizer-me : “Oh! Eu adoro esse filme!”. Nestes casos, sinto grande satisfação, e passo a gostar também do filme."


Bergman




Palavras

Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar
Que o nosso amor pra sempre viva
Minha dádiva

Quero poder jurar que essa paixão jamais será
Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras, momento
Palavras, palavras
Palavras, palavras
Palavras ao vento

Cássia

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Palavras ao vento...
nada a dizer...
só a sentir!

As coisas lindas...

Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela e então eu me vi
Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água-marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar
E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas
Porque você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas
(Nando Reis)

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coisas lindas de sentir
coisas lindas de esperar
o que escrever do que sinto por você????
quando você está é uma luz que invade tudo e chega a cegar...
tudo mais se torna vazio
tudo se resume a você em alguns segundos
e você se vai...
não importa nada, não importa ser, estar, esperar... só importa sentir...
não posso dizer nada mais ... só se for pra você...
Clarear

Até o fim - Chico Buarque

Quando nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim Inda garoto deixei de ir à escola Cassaram meu boletim Não sou ladrão, eu não sou bom de bola Nem posso ouvir clarim Um bom futuro é o que jamais me esperou Mas vou até o fim Eu bem que tenho ensaiado um progresso Virei cantor de festim Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso Em Quixeramobim Não sei como o maracatu começou Mas vou até o fim Por conta de umas questões paralelas Quebraram meu bandolim Não querem mais ouvir as minhas mazelas E a minha voz chinfrim Criei barriga, minha mula empacou Mas vou até o fim Não tem cigarro, acabou minha renda Deu praga no meu capim Minha mulher fugiu com o dono da venda O que será de mim? Eu já nem lembro pronde mesmo que vou Mas vou até o fim Como já disse era um anjo safado O chato dum querubim Que decretou que eu tava predestinado A ser todo ruimJá de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim.
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Predestinação?????

Não sei...

Não sei exatamente o que eu quero...
você sabe???
sabe sem me importunar???
ou nao sabe e mesmo assim quer me testar???
a gente tenta se enganar, tenta se iludir, tenta, tenta e tenta...
Mas há dias em que é melhor calar, deixar levar... ou não....
Descobri que gosto de momentos comigo mesma...
e esses momentos... eu não os trocaria por nada...
em outros, quero você por perto, mas você ou "um você" que não mais existe???
De repente me vejo só novamente... por escolha... por vontade... por necessidade... por querer de menos ou querer demais... ou simplesmente por não querer nada!
E nos últimos meses, parece que tudo está mais claro... mais óbvio...
e ao mesmo tempo, tudo parece pronto a mudar novamente, pronto para tantas releituras de mim mesma...
Uma confusão de sentimentos, e a cada vez que você pensa que eu ainda resisto em te esperar...
mais longe eu posso estar de você!!!
CLAREAR

No fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto.... Paulo Leminski

Mora na Filosofia

Eu vou lhe dar a decisão
botei na balança e você não pesou
botei na peneira e você não passou
mora na filosofia
pra que rimar amor e dor
se seu corpo ficasse marcado
por lábios ou mão carinhosas
eu saberia, ora vai mulher...
à quantos você pertencia
não vou me preocupar em ver
teu caso não é de ver pra crer
tá na cara

(Monsueto e A. Pessoa)

Florbela Espanca

Florbela Espanca, batizada com o nome Flor Bela de Alma da Conceição, (8 de Dezembro de 1894 — 8 de Dezembro de 1930) foi uma poetisa portuguesa, precursora do movimento feminista em seu país. Teve uma vida tumultuada, inquieta, transformando seus sofrimentos íntimos em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização e feminilidade.
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Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz. cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.
Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!
Meus versos!…
Sei eu lá também que são…Sei lá! Sei lá!…
Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…
Versos! Versos! Sei lá o que são versos..
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…
Florbela Espanca - Trocando olhares - 29/07/1916

You Don't know Me

You don’t know me
Bet you’ll never get to know me
You don’t know me at all
Feel so lonely
The world is spinning round slowly
There’s nothing you can show me
From behind the wall
Show me from behind the wall
Show me from behind the wall
Show me from behind the wall
Nasci lá na bahia de mucama com feitor
O meu dormia em cama, minha mãe no "pisador"
Laia ladaia sabadana ave mariaLaia ladaia sabadana ave maria
Eu você nos dois, já temos um passado meu amor
Um violão guardado, aquela flor
Show me from behind the wall
Show me from behind the wall
Show me from behind the wall
Laia ladaia sabadana ave mariaLaia ladaia sabadana ave maria
Eu agradeço ao povo brasileiro
Norte, centro, sul inteiro
Onde reinou o baião

Caetano Veloso

Cuba


Povo amoroso, musical, risonho. Uma camiseta me fez dar gargalhadas. Em cima, os dizeres: “Nove expressões faciais de um cubano conforme seu estado de espírito”. Embaixo, nove desenhos iguais, de um negro rindo de orelha a orelha, cada qual com uma classificação: feliz, preocupado, com problemas, triste... Povo instruído, apesar da pobreza geral. Em outras partes do mundo, você diz que é do Brasil e lá vem:“Ah, yes, football, Pelé, Ronaldo, Rivaldo!”

Pablo Neruda

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi:
não soube que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Monólogo Ao Pé Do Ouvido

Modernizar o passado
É uma evolução musical
Cadê as notas que estavam aqui?
Não preciso delas!
Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos
O medo dá origem ao mal
O homem coletivo sente a necessidade de lutar
o orgulho, a arrogância, a glória
Enche a imaginação de domínio
São demônios, os que destroem o poder bravio da humanidade
Viva Zapata!Viva Sandino!Viva Zumbi!Antônio Conselheiro!
Todos os panteras negras
Lampião, sua imagem e semelhança
Eu tenho certeza, eles também cantaram um dia.

Nação Zumbi
Composição: Chico Science

Esperando Godot

Que árvore é essa?
Acho que é um salgueiro...
Mas ele não tá chorando,
Talvez não seja época!

....


De vez em quando me pergunto se não seria melhor nos separarmos....

E para quê?

...

Para tentar encontrar Godot mais rápido.

Eu não suportaria a tua ausência.

- Eu suportaria... acho.

Proudhon


Pierre Joseph Proudhon. Ao ler a sua obra, fiquei com a impressão de que o objetivo principal fora encontrar um princípio de harmonia que resultasse a “paz imperturbável” e que a palavra-chave do seu pensamento é a “reconciliação”.


Yuri Almeida - Vamos iniciar por seu livro “A propriedade é um roubo”. Por que a propriedade é um roubo?
Proudhon - Assim como o “valor-de-uso”, o valor de troca são quantidades incomensuráveis, logo o seu fruto é instável, visto que ambos valores estariam em constante oposição. A solução é: os produtores devem combinar o preço (o preço de custo) e, por conseguinte, pelo que eles valem. É verdade que existirão menos ricos, mas, certamente, também passará a existir menos indigência. Como a negação da propriedade levava à negação da autoridade, eu deduzia imediatamente de minha definição este corolário não menos paradoxal: a verdadeira forma de governo é a anarquia”.(PROUDHON, 1997, pg. 18)

Y.A – Proudhon gostaria que você explicasse o seu conceito de propriedade.

Proudhon - La propriété c’est le vol. Os governos e as instituições resultam dela. A propriedade, considerada no conjunto das instituições sociais, tem por assim dizer duas contas abertas: uma é a dos bons que ele obtém, e que decorrem diretamente de sua essência; a outra é a dos inconvenientes que ela produz, dos gastos que ela ocasiona e que se seguem, como os bens, também diretamente de sua natureza. O mesmo acontece com a concorrência, o monopólio, o Estado etc.” (PROUDHON, 1997, pg. 36).
Para que as condições fossem iguais, nesta hipótese da separação do trabalho e do capital, seria preciso que, como o capitalista se desenvolve através de seu capital, sem trabalhar, também o trabalhador pudesse se desenvolver através de seu trabalho, sem capital. Ora, não é o que acontece. Portanto, a igualdade, a liberdade, a fraternidade são impossíveis no regime atual; portanto a miséria e o proletarizado são a conseqüência fatal da presente organização da propriedade”. (PROUDHON, 1997, pg.70).
Ao considerar a propriedade um roubo, busco “colocar em relevo a fragilidade das instituições. Acredito que é preciso um equilíbrio no que tange a propriedade, já que “na propriedade, como em todos os elementos econômicos, o mal ou o abuso é inseparável do bem. (PROUDHON, 1997, pg. 36). Por isso, “é preciso manter as escrituras em dia, isto é, determinar com exatidão os direitos e deveres, de maneira a poder, em cada momento, constatar a ordem ou a desordem e apresentar o balanço” (PROUDHON, 1997, pg.37), ou seja a justiça é a mediadora das relações humanas.
A propriedade é um roubo; a prosperidade é uma liberdade.

Y.A – Seria a propriedade a causa das desigualdade?
Proudhon - “A sociedade se dividiu em três categorias de cidadãos correspondentes aos três termos desta fórmula (capital, trabalho, abstração); que dizer, porque se fez nela uma classe de capitalistas ou proprietários, uma outra classe de trabalhadores e uma terceira classe de capacidades, é que constantemente se chegou nela à distinção de castas e que a metade do gênero humano foi escrava da outra sociedade”
“Por toda a parte em que se pretendeu de fato, organicamente, estas três coisas, o capital, o trabalho e o talento, o trabalhador foi escravizado: ele se chamou alternativamente escravo, servo, pária, plebeu, proletário; o capitalista foi explorador: nomeia-se ora patrício ou nobre, ora proprietário ou burguês; o homem de talento foi um parasita, um agente de corrupção e servidão: este foi primeiro o sacerdote, mais tarde o clérigo, hoje o funcionário público, qualquer gênero de capacidade e de monopólio”. (PROUDHON, 1997, pg. 68-69).

Y.A - Você afirma que à medida que a sociedade fica mais esclarecida autoridade real diminui.

Proudhon - Sim. “Desde o momento em que o homem procura os motivos da vontade soberana, desde este momento o homem se revoltou”. (PROUDHON, 1997, pg. 27-28). “Pouco a pouco a experiência cria hábitos e estes, costumes, depois os costumes formulam-se em máximas, arranjam-se em princípios, numa palavra, traduzem-se em leis, às quais o rei, a lei viva, é forçado a respeitar. Vem um tempo em que os costumes e as leis são tão multiplicados que a vontade do princípio é por assim dizer englobada pela vontade geral; quem tomar a coroa é obrigado a jurar que governará conforme e os usos, e que ele não é ele mesmo, mas o poder executivo de uma sociedade cujas leis se fizeram sem ele.” (PROUDHON, 1997, pg. 28-29).


Y.A - O que você acha da democracia? E das eleições?

Proudhon - A democracia implica a destituição da autoridade e do governo. Sobre as eleições “o que me interessam, ainda uma vez, todas estas eleições? Que necessidade tenho de mandatários, tanto como de representantes? E, já que é preciso que determine minha vontade, não posso exprimi-la sem a ajuda de ninguém? Quero tratar diretamente, individualmente, por mim mesmo; o sufrágio universal é, a meus olhos, uma verdadeira loteria”. (PROUDHON, 1997, pg. 106 e 1080).

Y.A - E qual seria o “governo” ideal? Haverá legislador?

Proudhon - Será aquele baseado na soberania da razão, isso porque a autoridade do homem sobre o homem está em razão inversa ao desenvolvimento intelectual ao qual esta sociedade chegou, ou seja a ignorância é a única coisa causa do pauperismo que nos devora e todas as calamidades que afligem a espécie humana. Enquanto ao legislador, a função deste se limita à busca metódica da verdade.“Nem monarquia, nem aristocracia, nem mesmo democracia, pois que este terceiro termo implicaria um governo qualquer, agindo em nome do povo, e dizendo-se povo. Nada de autoridade, nada de governo, mesmo popular: eis a revolução. (PROUDHON, 1997, pg. 92).



Y.A – Ah! Então o anarquismo possui um caráter redentor? A salvação da humanidade?

Proudhon - Eu confio na associação mútua como solução dos problemas sociais. “A Revolução sou eu”, é a minha máxima. Proponho uma mistura singular de realismo e de utopia. Realismo, quando enalteço a multiplicação das associações operárias de produção, único meio de afastar, ao mesmo tempo, o capitalismo privado e a nacionalidade estatal. Utopia, quando o sistema aumentará insensível e progressivamente, que ele acabará por absorver de modo paulatino, sem expropriação toda indústria, graças a um crédito gratuito que seria concedido às associações operárias por um “Banco do Povo”, espécie de caixa mútua funcionando fora de qualquer controle do Estado”.
Dessa forma, os trabalhadores, via “organização do crédito”, torna-se-iam “senhores do trabalho” ( a essa altura despareceu o capitalista) e reconquistariam o capital alienado. Primeiro retomaria para mãos dos trabalhadores, a pequena e depois a grande propriedade, a seguir as explorações, sendo assim “senhores de tudo”.
Nesta sociedade, as trocas seriam baseadas no trabalho e não no capital. Dessa forma, não haverá “transferência de riqueza”, mas sim, a sua criação.
“O meio de destruir a usura não é, mais uma vez, confiscar a usura; é opor princípio a princípio, isto é numa palavra, organizar o crédito.” (PROUDHON, 1997, pg. 71). Nós queremos a propriedade, menos a usura.
Organizar o crédito não é emprestar a juros, visto que isto sempre seria conhecer a soberania do capital; é organizar a sociedade dos trabalhadores entre eles, é criar a garantia mútua. O trabalho pode dar crédito dele mesmo, ele pode ser credor como o capital.
“ Nós não queremos o imposto sobre as rendas do Estado porque este imposto é, como o imposto progressivo, em relação aos capitalistas, somente um confisco e, em relação ao povo, somente uma transação, um logro. Nós acreditamos que o Estado tem o direito de resgatar suas dívidas, por conseguinte, de emprestar a juros mais baixos; não pensamos que lhe seja permitido, sob pretexto de imposto, faltar a seus compromissos. Nós somos socialistas, nós não somos bancarroteiros”.

Y.A – Você propõe igualdade de condição humana? É isso?

Proudhon -“Se o homem nasceu sociável, a autoridade de seu pai sobre ele cessa no dia em que, sua razão estando formada e sua educação completa, ele se torna o associado de seu pai. (PROUDHON, 1997, pg.29). O governo do homem pelo homem, sob qualquer disfarce, é opressão.“Para o desenvolvimento da idéia social, que cada cidadão seja tudo; porque, se não é tudo, ele não é livre; sofre opressão e exploração em algum aspecto” (PROUDHON, 1997, pg.70).

Y.A - O que é ser governado?

Proudhon - “Ser governado é ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legisferado, regulamentado, depositado, doutrinado, instituído, controlado, avaliado, apreciado, censurado, comandado por outros que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude” (PROUDHON, 1997, pg. 114).

Y.A – É impressão minha ou você é contrário as leis?
Proudhon - Acredito que o número excessivo de leis é prejudicial à sociedade. Isso porque, a simplificação legislativa nos reconduz, portanto, a idéia de contrato, conseqüentemente, à negociação da autoridade.
“ Não faça a outro o que vós não quereis que se vos faça; faça a outro como desejais que vos seja feito. Eis a lei e os profetas. Mas é evidente que isto não é uma lei; é a fórmula elementar da justiça, a regra de todas as convenções. (PROUDHON, 1997, pg. 101).
A essência da lei “é um efeito da minha vontade, uma condição do meu trabalho e uma fé da minha razão”.

Y.A - Qual a sua análise do governo Lula?
Proudhon - “ A revolução social está seriamente comprometida se ela chega pela revolução política. O poder nas mãos do proletariado, isto será um embaraço durante tanto tempo que a revolução social não será feita” (PROUDHON, 1997, pg. 41). Uma revolução não se pára nem se improvisa.

Y.A – E sobre o comunismo? Você faz serias críticas à Marx.
Proudhon - “Eles (os comunistas) submetem tudo à soberania do povo, ao direito da coletividade; sua noção de poder ou de Estado é absolutamente a mesma da de seus antigos senhores. Que o Estado seja intitulado de império, de monarquia, de república, de democracia ou de comunidade é evidentemente, sempre a mesma coisa. Para os homens desta escola, o direito do homem e do cidadão depende inteiramente da soberania do povo; sua própria liberdade é dele uma espécie de emancipação”. (PROUDHON, 1997, pg. 164).
“Na aparência sobre a ditadura das massas, mas onde as massas não têm poder senão aquele que é necessário para assegurar a servidão universal, segundo as fórmulas e máximas seguintes, emprestadas ao antigo absolutismo:
a) indivisão do poder;
b) centralização absorvente;
c) destruição sistemática de todo pensamento individual, corporativo e local, reputado dissidente;
d) polícia inquisitorial;
e) abolição ou pelo menos restrição da família, tanto mais da hereditariedade. (PROUDHON, 1997, pg. 167).

Y. A – Por fim, Proudhon não sei se os nossos leitores chegaram até final desta entrevista, os tempos mudaram e as pessoas não lêem na internet. Bom, a última pergunta é extremamente pessoal: queria que você explicasse “por que a revolução não é obra de ninguém”?

Proudhon - É uma transformação que se efetua espontaneamente no conjunto e em todas as partes do corpo político. É um sistema que se substitui a um outro, um organismo novo que substitui uma organização decrépita”.
Uma revolução verdadeiramente orgânica, produto da vida universal, mesmo que tenha seus mensageiros e seus executores, não é verdadeiramente a obra de ninguém. (PROUDHON, 1997, pg. 77).

* Citações retiradas do livro “A propriedade é um roubo e outros escritos anarquistas”. PROUDHON. J. Pierre. L&M Pocket, Porto Alegre, 1997.

Surpresas

Surpresas que a vida te reserva e você tem medo porque não sabe o que virá...
e quando vem você vê que tudo vale a pena, até ter sofrido, ter amado, ter esquecido...
Você percebe que há tantas coisas além do mundo que você projetou a si mesmo, que tudo vai ficando sereno, como num sonho bom....
E você olha pra si mesmo e vê que há tantas coisas que você quer viver, que há tantas coisas para sentir, que há tantas músicas que você quer ouvir e filmes que você quer ver... e muitas dessas coisas, você quer fazer somente consigo mesmo... você quer é olhar pra dentro de você, e ver que é um ser inteiro. E rir disso. E chorar por isso. E saber que para amar alguém, você precisa bastar a si mesmo!!!

Clarear

As pessoas constroem suas próprias prisões. Buscam liberdade... mas ao radicalizar nos atos centrados em si mesmos e ignorar que há outros corações pulsando no universo, passam a ver-se cada vez mais afudandados em sua própria lama. As grades vão-se erguendo, tudo vai ficando igual e sem graça e ao buscar respostas, as palavras viram espinhos longos e pontudos que só podem causar dor a quem se aproximar.
A libertação?
Cada um deve buscar a sua... acho eu.
Clarear

Sabe aquela saudade....

Sabe aquela saudade que não dói?
Aquela saudade gostosa que faz com que você feche os olhos e sinta tudo como se fosse realidade?
Você ouve uma música... a música certa... na hora certa...
e viaja no seu mundo... no seu íntimo... aquele momento que é só seu... que só a você pertence... que ninguém precisa ver, nem entender, nem saber....

Clarear

Coração fechado

Coração fechado para amar
A indiferença consumiu todas as possibilidades
A lembrança da dor deixa tudo em silêncio, frio e também sem sentimentos
É fácil esquecer-te quando não estás aqui
É fácil lembrar-te quando estás
Então escolhe...

Clarear

Perguntas de um Trabalhador que lê

Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia várias vezes destruída —Quem a reconstruiu tantas vezes?
Em que casas da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os ergueu? Sobre quemTriunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio tinha somente palácios para seus habitantes?
Mesmo na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua ArmadaNaufragou.
Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?

Cada página uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande homem.
Quem pagava a conta?
Tantas histórias. Tantas questões.

Bertold Brecht

Você dita ao meu coração
O que ele não quer aprender, Zé
Você quer que o meu coração
Siga a tua receita só
Não, quero que aceite
O jeito que eu te dou de mulher
Não, e aproveite
O resto o tempo dá jeito
Mesmo que tenha a minha oração
Que você dispensa Zé
Você faz com que o meu coração
Siga a tua beleza só
Vá lembrar a tardinha
Quando nos conhecemos Zé
Havia uma beleza ali
Ou era criatividade minha
Quando andava pela rua
Cor de sol amarelo ouro
Me fitava e eu me avermelhando
Som de jardim de sonho
Zé era seis da tarde
Dia e escuridão
Tinha tom, sino e alarme
Roubando o meu coração
Hortelã, alecrim e jasmim
Ave Maria cantando
Ela tão satisfeita por mim
E eu num galho do sol
Que nem passarinho
Que nem passarinho
Desvanecida de amor
Cor de carmim

Vanessa da Mata

Dez chamamentos ao amigo

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo Entendo que sou terra.
Há tanto tempo
Espero Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu.
Pastor e nauta Olha-me de novo.
Com menos altivez.
E mais atento.

Hilda Hilst

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Ernestito


"Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário."

A liberdade é azul



“O homem sempre viveu o mito do amor. Para muitos, amar significa viver sem liberdade, e a coisa mais importante do mundo é a liberdade, sem ela ninguém consegue viver...”





Uma vida comum é alterada pela tragédia: Julie (Juliette Binoche), famosa modelo, após um trágico acidente de automóvel, perde a família: o esposo — um maestro de fama internacional — e a filha pequena. A partir daí, após uma tentativa de suicídio frustrado, Julie, experimentando a dor da perda — entre outras dores: a mãe, insana, está internada num asilo —, descobre que o ex-marido a traíra, que a amante do marido está grávida... Em meio a tudo isso, tendo por base a dura realidade, Julie volta a se interessar pela vida ao se envolver com uma obra musical inacabada do marido. Com isso, Julie sublima o sofrimento, desvia a atenção para novas coisas, aprende a contemplar o mundo por outras perspectivas. A comovente trilha sonora “Song for Unification of Europe” (“Concerto ou Canção para a Unificação da Europa”), com inúmeras variações, percorre toda a projeção do filme. O modo como o filme se desenrola, as partes dramáticas acompanhadas ao som do coral da Orquestra Sinfônica e Coral da Thecoslováquia, cujas letras da melodia são extraídas — e reelaboradas — das Epístolas Paulinas (I Coríntios 13), do Hino à Caridade... “Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, seu eu não tivesse a caridade, seria como um bronze que soa”: tudo é de uma beleza incomum. É preciso ressaltar que nas variações do “Concerto para a Unificação da Europa”, as letras bíblicas adquirem outros sentidos, como por exemplo nestas passagens: “Ainda que eu falasse a língua dos anjos, seu eu não tivesse o amor, eu seria como um bronze que soa... seu eu não tivesse o amor, eu não seria nada. O amor é paciente, é pleno de bondade. O amor tolera todas as coisas, ele aspira todas as coisas. O amor não morre, jamais. A fé, a esperança e o amor... o maior dos três é o amor.” Enfim, trata-se de uma das mais belas trilhas sonoras que o cinema já rendeu. O filme é confeccionado por meio de cacos de existências, de pedaços de vidas que vão se juntando e formando uma junção perfeita. Durante os trabalhos de conclusão da obra inacabada do ex-marido, Julie redescobre, dolorosa e paradoxalmente, o mundo: família, amizade, amor, religião, crenças... são armadilhas. Descobre que sem a liberdade ninguém consegue viver. Há muito tempo um filme não me tocava tão profundamente... talvez pelo fato de Kieslowski traduzir, num quadro luminoso, o aprendizado do grande amor que todos nós, os mortais, desejamos e do qual Herbert Viana fala em sua música; todos nós esperamos e temos uma incrível pressa de encontrá-lo, e como Viana acentua na canção: “Eu tô esperando, vê se não vai demorar...” "A Liberdade é Azul" recebeu 3 indicações ao Globo de Ouro. Ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza (1993). Ganhou o Cézar de Melhor Atriz (Juliette Binoche). O filme, do consagrado diretor polonês, é maravilhoso, é uma exaltação ao amor, à liberdade. É o primeiro filme da trilogia das cores ("A Igualdade é Branca"; "A Fraternidade é Vermelha") de Kieslowski, dedicada às cores e aos ideais da Revolução Francesa (1789). O filme deve ser conferido, pois, com ele, aprendemos, belamente, que a liberdade é lindamente azul.

PROF.DR.SÍLVIO MEDEIROS









Hipocrisia


"Muito custa ao homem revelar-se mau, até aos seus próprios olhos; e não se atrevendo, faz-se hipócrita." (Jaime Balmes)



Frida


..."Pensaram que eu era Surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade"


Já foi lançada uma estrela...

E quem garante que a História
É carroça abandonada
Numa beira de estrada
Ou numa estação inglória?
A História é um carro alegre
Cheio de um povo contente
Que atropela indiferente
Todo aquele que a negue
É um trem riscando trilhos
Abrindo novos espaços
Acenando muitos braços
Balançando nossos filhos
Lo que brilla con luz propia
Nadie lo puede apagar
Su brillo puede alcanzar
La oscuridad de otras costas
Quem vai impedir que a chama
Saia iluminando o cenário
Saia incendiando o plenário
Saia inventando outra trama?
Quem vai evitar que os ventos
Batam portas mal fechadas
Revirem terras mal socadas
E espalhem nossos lamentos?
E enfim quem paga o pesar
Do tempo que se gastou
De las vidas que costó
De las que puede costar?
Já foi lançada uma estrela
Pra quem souber enxergar
Pra quem quiser alcançar
E andar abraçado nela
Já foi lançada uma estrela
Pra quem souber enxergar
Pra quem quiser alcançar
E andar abraçado nela
[Canción por unidad latinoamericana](Pablo Milanés/Chico Buarque)

Para encontrar a paz...


Guimarães Rosa


"Mas nada disso vale fala, porque a estória de um burrinho, como a história de um homem grande, é bem dada no resumo de um só dia de sua vida. E a existência de Sete-de-Ouros cresceu toda em algumas horas - seis da manhã à meia-noite - nos meados de mês de janeiro de um ano de grandes chuvas, no vale do rio das Velhas, no centro de Minas Gerais".


"Tinha cometido um erro. O primeiro engano seu nesse dia. O equívoco que decide o destino e ajeita o caminho à grandeza dos homens e dos burros. Porque: ' quem é visto é lembrado', e o Major Saulo estava ali..."


(O Burrinho Pedrês)

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"Fiz o caminho. Sem tomar direção, sem saber do caminho. Pé por pé, pé por si. Deixei que o caminho me escolha. Na travessia, só silêncio. O nenhuns-nada. O alegre, mesmo, era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma. Nessa estrada, salvou-me a palavra".


João Guimarães Rosa


Uma mulher cuja importância para a história do desenvolvimento da condição feminina é imensa...

"Uma felicidade toca, floresce ao longe, alastra em volta da minha solidão e procura tecer para os meus sonhos um enfeite de ouro. E ainda que a minha pobre vida esteja gelada de madrugada inquieta e neve dolorosa, a hora santa virá para ela, um dia, da sagrada Primavera......" Lou Salomé.

"Ouse, ouse... ouse tudo!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!" Lou Salomé.

Drummond


Amar o perdido deixa confundido este coração.
Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não.
As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão
Mas as coisas findas muito mais que lindas, essas ficarão.


Tanto a saber

"A verdade é que não desejava intimidade, desejava conversa. A intimidade é um dos caminhos para o silêncio, e mrs. Crowe abominava o silêncio. Era preciso haver conversa, e que esta fosse geral e que abarcasse tudo. Não devia ser profunda demais nem inteligente demais, pois se progredisse muito nessas direções alguém certamente se sentiria de fora, e ficaria sentado ali, balançando a xícara de chá, sem dizer nada". (Retrato de uma londrina - Virginia Woolf)