quarta-feira, 28 de abril de 2010

Feliz é a inocente vestal!
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças
Toda prece é ouvida, toda graça se alcança

Alexander Pope

Alice


"Sou "indesejável", estou com os individualistas livres, os que sonham mais alto, uma sociedade onde haja pão para todas as bocas, onde se aproveitem todas as energias humanas, onde se possa cantar um hino à alegria de viver na expansão de todas as forças interiores, num sentido mais alto – para uma limitação cada vez mais ampla da sociedade sobre o indivíduo."


Maria Lacerda de Moura


segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Arte de Perder

“A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério. “

Elizabeth Bishop (* 8/2/1911 +6/10/1979 )
Tradução de Paulo Henriques Britto

(Eu já postei esse poema no blog, mas como eu gosto muito dele resolvi postá-lo mais uma vez.... aceite a hora gasta bestamente....)


Dementis convitia nihil facias

domingo, 25 de abril de 2010

Nada é impossível de mudar

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

Bertold Brecht

quinta-feira, 15 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sophia de Mello Breyner Andresen

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O que está por trás de um olhar? Um olhar longo e detido. Um olhar que encontra uma unica direção. Um olhar... um simples olhar.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Se correr o bicho pega Stephen se ficar o bicho come....

Zeca Baleiro

terça-feira, 6 de abril de 2010

Não entendo, mas sinto. por onde vão meus pensamentos... apenas sinto... sinto a chuva lá fora... a música aqui dentro... o vinho em cada gole... as cenas do filme na TV. o cheiro do incenso... seus olhos... eu os sinto... e diante deles me calo.
As pessoas falam coisas, e por tras do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem, há o que são e nem sempre se mostra…
Caio Fernando Abreu in Morangos Mofados
Vede, vede, é dia já... Vede o dia... Fazei tudo por reparardes só no dia, no dia real, ali fora... Vede-o, vede-o... Ele consola... Não penseis, não olheis para o que pensais... Vede-o a vir o dia... Ele brilha como ouro, numa terra de prata. As leves nuvens arredondam-se à medida que se cobrem... Se nada existisse, minhas irmãs?... Se tudo fosse, de qualquer modo, absolutamente coisa nenhuma?
Fernando Pessoa: O marinheiro


Sim, existir é incompreensível e excitante.

Caio Fernando Abreu
O que eu deveria pensar disso tudo? Para onde deveria olhar? Havia algo ali ou eu não entendi nada?
“Então eu te disse que o que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse.”
Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Flores do Mal

Mas, loba, o coração todo ternuras plenas

Aleitava o universo com tetas morenas.

Ágil no seu vigor, o homem em boa lei

Podia envaidecer-se ao chamarem-no rei;

Frutos puros de ultraje e virgens feridas

De carne lisa e firme evocando mordidas.

Hoje, o Poeta quando almeja imaginar

Tal grandeza nativa onde vá contemplar

A nudez da mulher perto da nudez do homem

Sente arrepios negros, os que a alma consomem.

A este negro painel, uma imagem de espanto.

Ah, monstruosidades que esperam um manto!

Troncos dignos de máscaras, ridículos, desnudos,

Pobres corpos torcidos, flácidos ou ventrudos,

E que o Útil, este deus sereno e sem cansaço

Logo à infância envolveu em tristes cueiros de aço.


Baudelaire


sábado, 3 de abril de 2010

"O que está acontecendo na Palestina, não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico."

Gandhi *

Talvez um novo caminho, um novo desafio, nova morada, novos ares e novas escolhas. Novos passos e lugares, novas pessoas, novos sons, novas ruas, novas palavras, novas flores. Mas a mesma lua, o mesmo sol, a mesma noite, as mesmas estrelas, o mesmo vento e a mesma manhã. Serei eu mesma em um novo eu.