quinta-feira, 30 de julho de 2009


A Língua Lambe

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos

Carlos Drummomd de Andrade
Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.

Luís de Camões


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Comunicado da Reitoria da USP sobre adiamento do início das aulas


Em observância à recomendação da Secretaria de Estado da Saúde à Secretaria de Ensino Superior, com o objetivo de reduzir a possibilidade de transmissão do vírus influenza A (H1N1), a USP, em decisão conjunta com a UNESP e com a Unicamp, comunica o adiamento do início das aulas de graduação, pós-graduação e extensão para o dia 17 de agosto. Posteriormente, os calendários escolares deverão ser reformulados.

Ademais, a USP, através da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária, informa também o cancelamento da quarta edição da Feira de Profissões, que seria realizada nos dias 4, 5 e 6 de agosto, no Memorial da América Latina.

São Paulo, 28 de julho de 2009.

terça-feira, 28 de julho de 2009


Essa eu roubei da Grá...

Muitas palavras... mas nada foi dito... não evitaste o silêncio, ele te tomou, te engoliu... te prendeu... e? Nada sabemos sobre as pessoas... não importa os sinais que achamos que podemos ler...
"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido."

Caio Fernando Abreu
“Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada. Daqui há pouco você vai crescer e achar tudo isso ridículo. Antes que tudo se perca, enquanto ainda posso dizer sim, por favor, chegue mais perto”. ___Uma história confusa (Ovelhas Negras)

Caio Fernando Abreu
"Odeio seguir alguém, como também conduzir.
Obedecer? Não!
E governar, nunca!
Quem não se mete medo não consegue metê-lo a ninguém,
Somente aquele que o inspira é capaz de comandar.
Já detesto comandar a mim mesmo!
Gosto, como os animais, das florestas e dos mares,
De me perder durante um tempo,
Permanecer a sonhar num recanto encantador,
E forçar-me a regressar de longe ao meu lar,
Atrair-me a mim próprio... de volta para mim".

Aqueles alemães não ouviam Bach, Wagner, Beethoven, não liam Goethe, Rilke, Hölderlin (?????) à noite, e de dia não trabalhavam em Auschwitz? A gente nunca sabe nada sobre o outro.

Hilda Hilst
Caminhando em uma manhã de sol, tudo fica mais fácil de entender... e as coisas já não são tão complicadas assim, e até é possível ver um sorriso no canto da boca... e uma verdade escondida nos olhos... mas a maior de todas as verdades fica guardada no silêncio... e tudo hoje é silêncio...
...pelas ruas que caminho nada encontro de familiar... penso alto, penso forte e tudo é névoa e vento... não há cheiros nem cores e nada permanece... tudo está fora do lugar e tudo é tão incerto... fogem as letras, não se formam as palavras, caem as folhas e a chuva que cai forma poças imensas... a paisagem muda, não há sol, tudo é frio, escuro e incerto... a mente passeia por entre lembranças que vão e vem... imagens soltas que insistem em ficar... não encontram mais um lugar para repousar, uma lembrança dividida, uma saudade ancorada... não há ouvidos para tanto lamento, não há descanso para quem tanto busca... e essa instabilidade toda quer hoje apenas fechar os olhos e encontrar uma folha branca no jardim... nada a ser escrito ainda... até o dia amanhecer...
“Como experiência, a loucura é esplêndida, posso te garantir, e não para ser desvalorizada; e na sua lava eu ainda encontro a inspiração para escrever”.

Virginia Woolf

Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada

Clarice Lispector

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Poema das sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade


domingo, 26 de julho de 2009

(...)
Sei, que a tua solidão me dói
E que é difícil ser feliz
Mais do que somos todos nós
Você supõe o céu
Sei, que o vento que entortou a flor
Passou também por nosso lar
E foi você quem desviou
Com golpes de pincel

Eu sei, é o amor que ninguém mais vê (...)

Los Hermanos

Visões da Febre

Doente. Sinto-me com febre e com delírio
Enche-se o quarto de fantasmas
Uma visão desenha-se ante mim
Debruça-se de leve…

É uma mulher de sonho e suavidade
E disse-me baixinho:
“Eu me chamo Saudade,
E venho para levar-te o coração doente!

Não sofrerás mais; serás fria como o gelo;
Neste mundo de infâmia o que é que importa sê-lo
Nunca tu chorarás por tudo mais que vejas!”

E abriu-me o meu seio; tirou-me o coração
Despedaçado já sem uma palpitação,
Beijou-me e disse “Adeus!” E eu: “Bendita sejas!…”

Florbela Espanca - Trocando olhares

Quando o amor acaba? Quando tudo fica ridículo? Como as cartas de amor lembradas por Álvaro de Campos com seus sentimentos exdruxulos? Quando você não reconhece mais quem você tem à sua frente? Você olha e não há mais o que ser feito... Será verdade que as coisas mudam mas as pessoas não? A vida não é imperfeita, nós é que somos...

E então...


"Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita".

Drummond

Mario Quintana

Foto Dulce Helfer

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem ( ou souberam) , o que é a luta amorosa com as palavras.

por
Mario Quintana.

O escritor e seus múltiplos vem vos dizer adeus.

Tentou na palavra o extremo-tudo

E esboçou-se santo, prostituto e corifeu. A infância

Foi velada: obscura na teia da poesia e da loucura.

A juventude apenas uma lauda de lascívia, de frêmito

Tempo-Nada na página.

Depois, transgressor metalescente de percursos

Colou-se à compaixão, abismos e à sua própria sombra.

Poupem-no o desperdício de explicar o ato de brincar.

A dádiva de antes (a obra) excedeu-se no luxo.

O Caderno Rosa é apenas resíduo de um "Potlatch".

E hoje, repetindo Bataille:

"Sinto-me livre para fracassar".

Hilda Hilst


Hoje. Nada. Frio. Chuva. Tudo de bom. Eu e você. Pedacinho de mim.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Melancolia. Flores na janela. Gotas de chuva na varanda. Vento movendo a balança vazia. Vento frio. Cachecol. Gato no telhado. Moça sentada na beira da praia. O mar. O movimento das ondas. Pensamentos. Livro aberto. Solidão. Vestido longo, salto alto, música. Borboletas. Silêncio. Menina com guarda-chuva. Banco de praça. Arco-íris. Mãos entrelaçadas. Portas abertas. Portas fechadas. Portas. Pôr-do-sol. Lua. Ruas desertas. Multidão. Fotografias. Ladeiras. Luzes. Casas. Construções. Gente. Rostos. Galhos secos. Neve. Sonhos. Sombras. Casais na madrugada. Espelhos no escuro. Pássaros em bando. Uma pena se solta... cai... levemente... encontra o chão...

Para além do que já passou, não há rotulos nem certezas, porque tudo muda enquanto o vento encosta na janela... e de repente as mãos estão frias e necessitam do calor dos seus lábios, para que as palavras não adormeçam e os pássaros não deixem de cantar... não se esconda entre os vazios que te deixei, em cada gesto há um mundo a ser descoberto e entre as folhas secas que caem há gotas frescas de vida e calor... para além das certezas que tu achas que possuis...
O pouco que sobrou
daquilo que era seu
e onde as palavras já não
dizem nada
e você se perdeu na multidão
seu rosto aparece entre os vitrais
e por onde as folhas caem
vento leva tudo então...
não tente entender
não faz sentido mesmo não
cada vez que eu penso em tudo
nada fica no lugar
por onde o sol se esconde
eu queria me perder
pra quem sabe
fazer um pedido
e tudo isso ser apenas
um não querer....
O que é que um pai pode fazer
Pro nenê nanar
O que é que um pai pode fazer
No meio da noite
Pro nenê nanar

Venha cá no colo
Pequenina tão manhosa
Que eu te canto a velha bossa
Nova
(...)

Palavra Cantada

domingo, 19 de julho de 2009

Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação
para estação,
no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as
praças,
sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como,
afinal, as
paisagens são.
(...)
A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não
é o que vemos, senão o que somos.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Olha... eu sei... você não precisa dizer nada, ainda caminhamos pela mesma estrada, a vida vai nos jogando na cara o que é amar. E pra você saber, o que pode acontecer quando a noite se acabar e a gente se encontrar, eu vou olhar nos seus olhos e simplesmente sorrir... já há um silêncio em tudo isso que se foi e um mundo de folhas que caem sobre a rua e eu ainda não entendi o que é sentir tudo isso outra vez.
(...) – bem, como vai você? levo assim, calado
de lado do que sonhei um dia
como se a alegria recolhesse a mão
pra não me alcançar...

Los Hermanos
Senta aqui que hoje eu quero te falar
Não tem mistério, não, é só teu coração
Que não te deixa amar...

Los Hermanos

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Não é ensaio
Não é rascunho
Vida /é livro definitivo

Diana Golçalves

Liberdade

Liberdade. Somente os pensamentos são livres? As ruas estavam vazias hoje. Demorei a lembrar que era feriado. Algumas pessoas caminham. Outras apenas silenciam. Não sabem o que fazer consigo mesmas. O silêncio inquieta. Somos livres? "O espírito é livre...na prisão do corpo".

***

"O espírito é livre na prisão do corpo"... trecho de Liberdade de Drummond

Mundo Grande

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

(...)

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
(...)

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.

Carlos Drummond de Andrade

Ouça na voz de Drummond http://www.youtube.com/watch?v=PgQalo1T5ZU vale a pena.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

rio do mistério
que seria de mim
se me levassem a sério?

Paulo Leminski

Peshawar, Paquistão, 2001. Garrafões de plástico trazido pelas crianças esperam uma entrega de água em um campo de refugiados afegãos.


terça-feira, 7 de julho de 2009

Uma lembrança daquela rua. O cinema, o filme, a lanchonete. Silêncio. Até que os corpos se acertem de novo e se encontrem na mesma rua. A rua espera os passos tímidos dos eternos amantes. A rua sente seus desejos, suas vontades. A rua expõe as suas verdades. E eles se beijam como se fosse a primeira vez.

Correção...

No caminho com Maiakovski não é de Maiakovski, mas sim de Eduardo Alves da Costa

Um lindo poema que não estaria reverenciando o nome do grande poeta russo Maiakovski, muitas vezes confundido pela Internet como sendo do próprio é na verdade de outro poeta, Eduardo Alves da Costa.

O poema de Eduardo Alves da Costa:

No caminho com Maiakovski

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão

é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração gr
ita - MENTIRA!

O fim. O fim de um algo qualquer. O fim de uma amizade. O fim do verão. O fim do dia. O fim. Simples assim. Fim de um sentimento. Fim de muitas possibilidades. Fim. O que decretou o fim eu não sei. Foi acontecendo e... fim. Como o dia que vai passando lentamente... Tudo vai vagarosamente se dissipando até.... que enfim... acaba... mesmo que algo tente ainda permanecer... escorre entre os dedos... escapa e... fim...


"...a coisa fica assim como um saco de água quente que se leva para a cama em noite de inverno: no princípio, aquele bem-estar, aquele calor. No meio da noite a gente acorda e descobre a água já está fria, mas tão fria que parece absurda a lembrança de que houve um instante em que ela nos aqueceu." (Lygia Fagundes Telles- Verão No Aquário)

Amigo

Alexandre O'Neill

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!