quarta-feira, 27 de agosto de 2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Virgínia Woolf

"Quem medirá o chapéu e a violência do coração dos poetas quando capturados e aprisionados no corpo de uma mulher?"

terça-feira, 19 de agosto de 2008

domingo, 17 de agosto de 2008

...

Há poucas certezas dentro de mim
e tudo pede mudança
pede com força, com sede, com intensidade
não há mais espaço pra aquilo que se foi
e que não tem como voltar a ser
não há como insistir nos mesmos erros
não há como voltar a ser aquilo que eu não via
e hoje vejo
não há como calar, ver e ignorar
não há como me perder
não há como me prender...
palavras que não fazem sentido
que não ouço
não sinto
não fazem mais parte de mim
um eu que você vê mas que não sou eu... é você
tentando se ver em mim
mas nada encontra!
...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Nunca vi tanta poesia em uma pintura como na de Frida... tantos sentimentos, tantos desejos e frustrações... amor e ódio... esperança e medo... superação e força, cores e vida... acima de tudo: vida! Mesmo em meio a tantas dores e tragédias, uma vida que se realiza nas cores, na tela, nas suas mãos... "Quem quer que haja construído um novo céu, só no seu próprio inferno encontrou energia para fazê-lo!" Nietszche

Frida

Um eu que se liberta
e outro que agita
um eu que chama
e outra que cala
um eu que grita
e outro que se acomoda
um eu que procura respostas
e outro que nada pergunta
um eu que mostra coragem
e outro... medo
um eu que te chama
e outra que recua
um eu que te ama
e outro que ama uma ausência indefinida
que quando se torna presença viva
nada mais importa
um eu que não liga
pro teu silêncio
e outro que clama pela sua voz
um eu que não se importa
e outro que sabe aquilo que não se deveria saber...
um eu que encontra uma alma viva
e outro que luta pra não senti-la
um eu que busca aquele que não confunde
que apenas vive e deixa viver
mas esse é o perigo
algo escondido
que não possa ser controlado
só sentido...
e aí... tudo realmente se mistura
se transforma
e me encontro!
Algo que desafia
inquieta
chama
murmura
ama
continua
silencia
dorme
volta
olha
sente
incendeia
deseja
imaginar é pouco...

domingo, 3 de agosto de 2008

sábado, 2 de agosto de 2008

...

Nada sob controle
e tudo fora de mim
Tudo sem sentido
e você continua aqui
e eu não sei o que te dizer
não sei o que sentir...
não sei mais nada sobre você
nem reconheço o seu passado
do qual faço parte
não reconheço seu rosto
nem mesmo seus olhos
onde eu me via
e me perdia
Eu procuro
Eu busco
mas não te encontro mais
e me perco
tanto em mim mesma
tanto na minha própria vida
que não encontro mais lugar
pra aquilo que foi
e que não sei mais o que será...
e quando você me olha
eu chego a pensar
e a procurar
mais um pouco
mas vem coisas
que eu quero esquecer
e que você finge que nunca aconteceram
como se fosse possível
passar por cima
de restos
dores
lixos
O tempo não parou
e eu não quero mais voltar atrás
hoje meu coração pulsa
vive
e sente o chão, o pó, a chuva, respira, dorme profundamente...
ah...que sono profundo e sereno
e que manhã
cheia de vida e paz
uma paz que não quero que ninguém
nem você
tire de mim!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Frida


"Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei minha própria realidade".

Pablo Neruda, o poeta das coisas

E foi naquela Época... A poesia chegou me procurando. Eu não sei, não sei de onde ela veio, se de um inverno ou de um rio. Eu não sei como nem quando. Não, não eram vozes, não eram palavras, nem silêncio; mas de uma rua eu fui chamado abruptamente dos ramos da noite, dos outros, no meio de um tiroteio violento, e num retorno solitário lá estava eu sem um rosto... e ela me tocou.

.

Neruda

Aqui na ilha há tanto
mar,

O mar e mais o
mar.

Ele transborda de tempo em
tempo.

Diz que sim, depois que
não,

Diz sim e de novo
não.

No azul, na espuma, em
galope

Ele diz não e novamente
sim.

Não fica tranqüilo, não
consegue parar.

Meu nome é mar ele
repete

Batendo numa pedra, mas sem
convencê-la.

Depois com as sete línguas
verdes

De sete tigres verdes, de
sete cães verdes,

De sete mares
verdes

Ele a acaricia, a beija e a
umedece;

E escorre em seu
peito

Repetindo seu próprio
nome.

O Carteiro e o Poeta (Neruda declama e pergunta a opinião de Mário sobre esse poema, em uma cena que se passa à beira-mar.)

...

A falta de sentido
a própria confusão de sentidos
a palavra e o ato
a palavra está vazia
e o sentir está cheio
a saudade insiste
e o peito adormece
até que você volte!

...

Não sei por que te quero
senão porque te quero
e te quero e te espero
temia querer-te e nunca esquecer-te
mas meu coração acostumou-se contigo
com essa saudade que se alimenta
da sua rara e forte presença
porque quando tú estás
nada mais importa
e nenhuma outra escolha me levaria
pra longe dos teus braços!