sábado, 30 de maio de 2009

Que mundo é esse?

Mundo que vê muita  TV e lê muito pouco
tão pouco que não conhece Virgínia Woolf, Hilda Hilst, Sylvia Plath, Gabriel Garcia Marquez...
Mundo pequeno, apesar de tão grande...
Não abrir mão de quem você é... é ser idealista!
Não se vender... é não querer dar comida aos filhos....
Não se entregar... é estar fora da realidade!
Que mundo é esse onde a educação virou negócio?
Compra-se um diploma em 12 meses...
É admitido justamente aquele que pode provar que não tem idéias, nem princípios, pois esse, com certeza, não vai questionar a "ordem estabelecida".
Ler um livro hoje? É para loucos que não se adequaram à geração tecnológica.
Livro como objeto cultural? Relação pessoal com o livro? Práticas de leitura?
O que é isso neste mundão tão vasto e tão pequeno?
Ai que triste ver professores não carregarem livros... nenhum ao menos...
De onde surgem suas aulas? Com quem estão dialogando?
Ler não é importante nesse mundo de hoje, importante é aplicar... é saber usar... é fazer...
mas fazer o quê?
para quê?
Mas é claro: para ganhar dinheiro, fazer, aplicar e ganhar... gastar e ganhar mais e esvaziar a mente e o espírito.
E agora José? A festa acabou?
Macondo não será descoberta por essa juventude tão voraz por tecnologia e informação rápida?
O homem não está mais em busca da sua identidade?
Pouco importa saber o que se é? Saber sobre si mesmo? 
Os livros já não caminham com os homens a medida que eles crescem...
e a poesia caminha por mentes esparsas, sozinha entre tantos vazios...

Clarear  
  
  

sexta-feira, 29 de maio de 2009

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O livro que, entre todos, é o mais difícil de interpretar, é o único que a realidade ditou, o único impresso em nós pela própria realidade.

Marcel Proust (tradução: Rodrigo Garcia Lopes)

Pablo Neruda

É assim que te quero, amor, 
assim, amor, é que eu gosto de ti, 
tal como te vestes 
e como arranjas 
os cabelos e como 
a tua boca sorri, 
ágil como a água 
da fonte sobre as pedras puras, 
é assim que te quero, amada, 
Ao pão não peço que me ensine, 
mas antes que não me falte 
em cada dia que passa. 
Da luz nada sei, nem donde 
vem nem para onde vai, 
apenas quero que a luz alumie, 
e também não peço à noite explicações, 
espero-a e envolve-me, 
e assim tu pão e luz 
e sombra és. 
Chegastes à minha vida 
com o que trazias, 
feita 
de luz e pão e sombra, eu te esperava, 
e é assim que preciso de ti, 
assim que te amo, 
e os que amanhã quiserem ouvir 
o que não lhes direi, que o leiam aqui 
e retrocedam hoje porque é cedo 
para tais argumentos. 
Amanhã dar-lhes-emos apenas 
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha 
que há-de cair sobre a terra 
como se a tivessem produzido os nosso lábios, 
como um beijo caído 
das nossas alturas invencíveis 
para mostrar o fogo e a ternura 

de um amor verdadeiro. 

terça-feira, 26 de maio de 2009

Edgar Rodrigues


"Para mim escrever livros foi uma conseqüência da pesquisa e coleta de informações. A minha formação é autodidata, os métodos de pesquisa, se assim os posso chamar, são os que fui experimentando e melhorando ao longo desse meu trabalho. Minha principal preocupação tem sido não deixar perder documentos que ia descobrindo e divulgar uma história que vinha sendo ocultada e deturpada do movimento social no Brasil. Nunca tive a pretensão de entrar na academia ou me tornar famoso.
Eu não chego a partilhar totalmente da opinião do Barão de Itararé que escreveu: "Os diplomas não encurtam as orelhas de ninguém", mas que muita gente até pode voar com elas isso não tenho dúvida.
Não existem pesquisas irretocáveis, mas se fosse perfeccionista e escutasse todas as críticas não escreveria 46 livros, nem publicaria 36, ficaria em um ou dois e olhe lá... Assim consegui tornar públicos centenas ou milhares de documentos sobre o sindicalismo e movimento operário no Brasil que aí estão para quem quiser polir e dar a cera que eu não pude". 

Edgar Rodrigues faleceu em 14 de maio de 2009. É uma das principais referências sobre anarquismo no Brasil e em Portugal.


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Mais Cem Anos de Solidão?

"(...)Evoco palavras do meu amigo Carlos: Numa manhã ensolarada de Janeiro, uma professora, que, casualmente, entrou na sala, enquanto as crianças escreviam poemas ao som de sonatas para violino, disse que aquela sala parecia um jardim. Fiquei feliz pelas crianças." Professores como o Carlos (são tantos os que conheço!) vão gravitando em torno do desastre. As suas palavras contrastam com as de outros professores, que me falam de sofrimento, de esforço não compensado, de desânimo que, não raras vezes, conduz à frustração. 
Não é fácil a vida nas escolas que temos. O professor está sozinho, na sua sala. Esse absurdo – um dos absurdos que sustentam a tradicional e hegemónica organização das escolas – reforça um mortal sentimento de auto-suficiência, expõe professores a situações de constrangimento e, por vezes, de violência expressa. Sei de professores que salvaram, in extremis, colegas em risco de serem agredidas dentro das suas salas. Sei de professores que foram ameaçados, humilhados, sovados. 
Se isto se deve a uma organização das escolas pautada pelo isolamento e pouco propícia ao exercício da solidariedade, não é menos certo que não cabe às escolas toda a responsabilidade. Não pretendo afagar o ego dos professores, que nunca é intenção minha agradar a quem quer que seja. Quero, tão só, dizer que escolas povoadas de solidão são objectos frágeis, ornados de contradições, que não digerem a massificação, e se degradam por efeito da crise que afecta outras instituições. 
Quando, já há muitos anos, um inspector me ordenou que voltasse a trabalhar sozinho (na "sua" sala, com os "seus" alunos como a lei estabelece), respondi-lhe, fundamentando, que a nossa profissão não poderia continuar a ser uma profissão solitária, mas solidária. E lá se foi o inspector, sem lograr impor a lei. 
Não se pense que são bravatas. Isto acontecia, há já muitos anos, numa escola deste país, sujeita às mesmas leis que as restantes escolas. Já então, eu nutria uma profunda ternura pelos inspectores que nos visitavam. Diferentes dos inspectores de hoje, também eram boas pessoas, mas nada sabiam de pedagogia. Explicávamos os nossos pontos de vista e eles entendiam. Debatiam-se entre o estabelecido pela lei e a evidência (prática e teórica), e acabavam por reconhecer a pertinência das nossas atitudes, porque o que lhes faltava em conhecimento sobrava-lhes em bom senso. 
Senti necessidade de referir esta memória, para dizer aos "legalistas" – àqueles que afirmam que as leis vigentes não permitem mudar as escolas – que isso não é verdade. 
As cifras do insucesso escolar, recentemente reveladas pelo ministério, são assustadoras. Nada nos dizem sobre o insucesso pessoal e social. Mas adivinha-se… 
A solidão dos professores é da mesma natureza da solidão dos alunos. É causa de infelicidade e efeito da racionalidade que subjaz ao tradicional modelo de organização das escolas. E, quando a essa solidão juntamos a das famílias, apercebemo-nos da dimensão da tragédia. Como diria um professor meu amigo, as escolas não fazem milagres!... Para ilustrar os caminhos que levam à solidão, deslocarei o problema das escolas para famílias submersas no silêncio, na incomunicabilidade e indiferença. Farei o justo contraponto com famílias onde, efectivamente, se educa. 
Quando a mãe disse à Bia para arrumar os brinquedos, a pequena respondeu: tenho soninho. Com amorosa autoridade, a mãe olhou a Bia. A Biaarrumou. 
Nelinho espalhou os seus brinquedos pela sala. Acabada a brincadeira, sentou-se, a ver televisão. O pai do Nelinho ordenou-lhe que arrumasse os brinquedos. Logo a mãe do Nelinho atalhou: Deixa lá! Não vês que o menino está com sono? Coitadinho! 
O pai ainda insistiu, com pouca convicção na voz: Vá lá, Nelinho, apanha, pelo menos os brinquedos que estão à tua beira… Mas o Nelinho já tinha recolhido aos braços protectores da mamã. E foi o pai quem os apanhou. 
Quando os "coitadinhos com soninho" chegam à idade de ir à escola, comportam-se de acordo com um padrão umbiguista, sedimentado em anos de permissividade e solidão. 
Um marmanjo com idade para deixar de "ter soninho" divertia-se a empurrar colegas mais pequenos, até que um miúdo mais franzino se feriu. Uma professora interveio e repreendeu-o. O jovem replicou: Quem é você para me falar assim? Acto imediato, o aluno pegou no seu telemóvel e telefonou ao papá: Tenho aqui uma gaja a chatear-me! O papá foi em seu auxílio. E apresentou queixa contra a professora. 
As escolas pouco, ou mesmo nada, podem fazer perante estes desmandos. Alunos que crescem sozinhos vão juntar-se a professores sozinhos, num drama que se eterniza. 
Há mais de cem anos, muitos educadores denunciavam o carácter solitário da profissão de professor, apontavam neuroses daí resultantes, reivindicavam a reconfiguração das escolas. Teremos de aguardar mais cem anos?"
José Pacheco; Jornal "a Página" , ano 17, nº 180, Julho 2008, p. 6.

sábado, 23 de maio de 2009

Educação como Negócio?

"A maioria das grandes universidades de pesquisa foi construída a partir do século XVIII (com exceção da mais antiga, Harvard, que é de 1636), com base em doações de particulares. Tome-se, como exemplo, a Universidade de Chicago, número 11 na classificacao do US News. Seu desempenho é invejável. Fundada em 1890, por ela já passaram, como professores, alunos ou pesquisadores, 73 prêmios Nobeis. Desde 1979, dez de seus professores ganharam esse prêmio. No polo oposto de nossas universidades particulares, Chicago tem duas vezes mais alunos na pós-graduação (8.500) do que na graduação (4 mil). Os alunos são recrutados nos 50 estados norte-americanos e em 41 países. (...) Entre nós, quando o Estado federal comecou a abandonar a educação superior, cresceu também o interesse dos empresários particulares pela área, que hoje dominam. Mas até agora eles só se têm interessado pela educação como negócio, nunca colocaram o negócio a servico da educação, o lucro particular a serviço do interesse público. Mesquinharia? Miopia social? Instinto predador? Nossa burguesia parece ter espirito capitalista, mas lhe falta ética, protestante ou outra qualquer". 
(José Murilo de Carvalho - Publicado no Jornal do Brasil com o título “A educação como negócio”, em 4/03/2002, p. 7)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Jabuticabeira


E aqui um espaço privilegiado pro saudoso "Pé de Jabuticaba"...
pra falar a verdade, quando eu vi essa foto veio um caminhão de lembranças na minha cabeça...
Cada jabuticaba nesses troncos são histórias, brincadeiras, sorrisos, bocas cheias...cheias de vida...
Tem um momento, entre esses tantos outros, que era o do meu silêncio... meu momento, quando terminava meu banho no final da tarde, saía de cabelo molhado e liso, roupa limpa e cheirosa, subia quietinha nos troncos e ficava ali pensando na vida, saboreando as jabuticabas, uma a uma, até minha avó aparecer e falar: - Desce daí menina, daqui a pouco é hora do jantar! 

(...)

Daí cabe o poema de Drummond, Infância, quando ele conta que ficava sozinho entre as mangueiras lendo a  história de Robinson Crusoé. 

Lembrando dos seus momentos com mãe, pai, irmão.... ele termina o poema assim:

"E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé." 

Eu também não...


Outono, cores, luzes,
Folhas que caem
Lembranças
Infância
Sol, vento
Calma
Tricô
Café, pão
Bolo de fubá
Casa, varanda
Amarelinha
Rua, pega-pega
Taco, esconde-esconde
Fogueira
Conversa fiada
Conversa séria
E mais conversa fiada
Paz
Paz ao sol
Quintal
Vovó, Vovô
Sapataria
Amigos
Amigos eternos
Família
Ladeira da saudade
Tonzeca e Nhoton
Crescer... é perigoso...
dá saudade!
E que saudade!

 

domingo, 17 de maio de 2009

Ariano "Quixote"

Era Digital



Você precisa saber que ler poesia é sentir e não interpretar...
cada um sente de um jeito
e o real na poesia não é o mundo aí fora
é o mundo de dentro
e o mundo de dentro...  hah... no mundo de dentro, no interior de um poeta cabem tantas coisas
coisas inexplicáveis
coisas suaves
coisas cheias de tormento
coisas insanas
coisas claras
coisas escuras
cabem luas, mares, barcos, manhãs....
cabem cores variadas, mas muitas vezes tudo é preto e branco
simplesmente
cabem sóis e girassóis
cabem janelas e jardins
guerras e ausência de mim....
Não adianta você achar que está tudo escrito ali,
que eu escrevi o que você acha que leu,
eu escrevi o que você não sentiu
porque você leu de olhos abertos demais
fecha teus olhos
sente, ouve, procura ver com os olhos fechados....
depois você lê...
e me diz o que você sentiu do que leu,
o que você descobriu
diz aqui pra mim...
eu me calo...
calar é também um esperar!

Clarear (para você poder sentir....)

sábado, 16 de maio de 2009

"A vida é um monte de padrões de probabilidades de conexões. Essas probabilidades não são probabilidades de coisas e, sim, probabilidades de conexões. Uma partícula é, essencialmente, um conjunto de relações que se estendem para se conectarem à outras coisas. Conexões de outras coisas, mas que também são conexões, e assim por diante. Na física atômica, nunca se tem objetos. A natureza essencial da matéria não está nos objetos, mas nas conexões".

Ponto de Mutação
Fritjof Capra
"As pedras falam... e eu me calo."

Ponto de Mutação
Fritjof Capra

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Drummond rende noites inteiras de deleite e de poesia
inesgotáveis horas de leitura que alimenta a alma, 
quem mais poderia dizer com tanto reconhecimento e classe
que a "boca está comendo vida, a boca está entupida de vida, a vida
escorre da boca, lambuza as mãos, a calçada. A vida é gorda,
oleosa, mortal, sub-reptícia"?    
....

"Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será".



E eu fico tentando lembrar quando foi que ele começou a existir pra mim.... foi há muito tempo... e eu ainda era uma criança... lendo o "poder ultrajovem"...  


Mas ainda pensando na fotografia da minha postagem anterior...
... fiquei pensando.... tenho que escrever...
O que ele diria pro Drummond? Porque na verdade ele que está dizendo e Drummond  está ali, pensativo... eterno!!!!
Ele diz:
Olha meu senhor, você não sabe como está esse Rio de Janeiro...
O Rio de Janeiro continua lindo meu senhor....
mas vendo daqui de onde o senhor está... aqui de Copacabana....
porque olha meu senhor, é só sair daqui deste banco e dar uma volta por aí,
pro senhor dizer:
E agora José?

....... 
 

O que Drummond diria pra ele?
Fiquei pensando...
Talvez ele dissesse:

"E como ficou chato ser moderno,
agora serei eterno!"

....

"Eternalidade eternite eternaltivamente
                   eternuávamos
                           eternissíssimo"



"Fico aqui pensando o que você diria agora... 
O que você faria agora... onde você estaria...
Que sensações isso lhe despertaria....
para onde iriam todos os desejos
ainda contidos
como a noite que corre
em lembranças e imagens
sons e palavras
um livro
uma luz
aquele filme das metáforas...
da praia
da descoberta da poesia e do sentir
para então escrever
ler
ser lido
além das entrelinhas
além da noite escura
das portas abertas
e ... calma...
nem tudo é tão certo
tão definitivo... que bom....
que o mundo se abre depois de grande tormento
que bom fazer escolhas e sorrir
sem medo de errar e de seguir...
que acontece com isso que você tem?
que ainda joga sua presença pra além do que eu posso decidir?
E já não sei mais dizer que é bom fazer escolhas
porque basta sentir sua presença pra que eu não saiba mais nada...
de nada...."
Clarear... em noite escura!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

"Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alta, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão"
(...)
Caetano Veloso

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Liberté


“O primeiro homem que, havendo cercado um pedaço de terra, disse "isso é meu", e encontrou pessoas tolas o suficiente para acreditarem nas suas palavras, este homem foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras e assassínios, de quantos horrores e misérias não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando os marcos, ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: Livrem-se de escutar esse impostor; pois estarão perdidos se esquecerem que os frutos são de todos, e a terra de ninguém!”
— Jean Jacques Rousseau, O contrato social (1762)

“A liberdade de eleições permite que você escolha o molho com o qual será devorado.”
— Eduardo Galeano

“Um governo que rouba de Pedro para pagar Paulo pode sempre contar com o apoio de Paulo.”
- George Bernard Shaw

Qual o papel da Universidade?

“Nós temos a responsabilidade de fazer um casamento. Um casamento entre o conhecimento intelectual da Universidade e a miséria. Não reforçar o casamento incestuoso entre o poder acadêmico e o poder econômico.” (Leonardo Boff, 2003).

“ ...no processo de aprendizagem, só aprende verdadeiramente aquele que se apropria do aprendido, transformando-o em aprendido com o que pode, por isso mesmo, re-inventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido-aprendido a situações existenciais concretas. Pelo contrário, aquele que é enchido por outros de conteúdos cuja inteligência não percebem, de conteúdos que contradizem a própria forma de estar em seu mundo, sem que seja desafiado, não aprende”. (FREIRE, 1986 p. 13)

Melhor pensar em frases como essas acima do que ficar martelando o que ouvi hoje em uma aula sobre "educação, poder e resistência..."

Nem cabe aqui reproduzí-la... seria como que compactuar com ela...
Prefiro apenas afirmar a liberdade... e desejá-la para todos...

“Só serei verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e mulheres, forem igualmente livres, de modo que quanto mais numerosos forem os homens livres que me rodeiam e quanto mais profunda e maior for a sua liberdade, tanto mais vasta, mais profunda e maior será a minha liberdade.”
— Mikail Bakunin

Estranhamento...

Hoje eu saí da aula pensando no poema de Brecht, em como ele faz sentido....

Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso.
Mas não se esqueçam
de que o abuso é sempre a regra.

(Bertolt Brecht)

O que não faz sentido é num lugar como aquele em que eu estava agora à pouco... tantas pessoas acharem "normal" deixar tudo como está!
Mas mais uma vez vem a atualidade deste poema...
Essa permanência é um abuso....
e Brecht já avisava "de que o abuso é sempre a regra"... mesmo lá....  

terça-feira, 5 de maio de 2009

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A Internacional



Música: Pierre Degeyter/Letra: Eugene Pottier

 

De pé ó vítimas da fome/De pé famélicos da terra

Da idéia a chama já consome/A crosta bruta que a soterra

Cortai o mal bem pelo fundo/De pé, de pé, não mais senhores

Se nada somos em tal mundo/Sejamos tudo ó produtores.

Bem unidos façamos/Nesta luta final

Uma terra sem amos/A Internacional

Senhores patrões chefes supremos/Nada esperamos de nenhum

Sejamos nós que conquistemos/A terra mãe livre comum

Para não ter protestos vãos/Para sair deste antro estreito

Façamos com nossas mãos/Tudo o que a nós nos diz respeito.

O crime do rico a lei o cobre/O Estado esmaga o oprimido

Não há direito para o pobre/Ao rico tudo é permitido.

À opressão não mais sujeitos/Somos iguais todos os seres

Não mais deveres sem direitos/Não mais direitos sem deveres

Abomináveis na grandeza/Os reis da mina e da fornalha

Edificaram a riqueza/Sobre o suor de quem trabalha.

Todo o produto de quem sua/A corja rica o recolheu

Querendo que ele o restitua/O povo quer só o que é seu.

Nós fomos de fumo embriagados/Paz entre nós guerra aos senhores

Façamos greve de soldados/Somos irmãos trabalhadores.

Se a raça vil cheia de galas/Nos quer à força canibais

Logo verá que nossas balas/São para os nossos generais

Pois somos do povo os ativos/Trabalhador forte e fecundo

Pertence a terra aos produtivos/Ó parasita deixa o mundo.

Ó parasita que te nutres/Do nosso sangue a gotejar

Se nos faltarem os abutres/Não deixa o sol de fulgurar