domingo, 14 de dezembro de 2008

Florbela...

"Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse a chorar isto que sinto!"

Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca

Florbela Espanca

Mi mal

Me conozco muy bien, sé mi color,
conozco el nombre de mi extraño mal:
y sé que fui encaje de vitral,
que fui ciprés, carabela y dolor.

Fui todo cuanto existe de mayor:
fui cisne, lirio, cóndor, catedral,
y fui tal vez un verso de Nerval
o una cínica risa de Chamfort...

Fui la heráldica flor de agrestes cardos,
su olor mis manos dieron a los nardos...
a la adelfa le dio color mi boca...

¡Ah! De Boabdil fui lágrima en España
y me traje de allí este ansia extraña.
¡Dolor no sé de qué! ¡Saudade loca!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

"...Não simule.... não me cure de você...
Deixa o amanhã dizer..." Marisa Monte

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Frida Kahlo


Diego e Frida


Casa de Frida


Frida









Para pensar...

“As coisas de que o corpo precisa são facilmente obtidas por todos sem labor ou dificuldade; as coisas que exigem labor e são difíceis de obter e oneram a vida são desejadas, não pelo corpo, mas por um estado ruim da mente.” (Demócrito, século V A.C.)

Chico Buarque

Desci à avenida Atlântica, chuviscava, a praia estava deserta, as águas escuras e crespas. Busquei abrigo num quiosque, e me perguntei se algum dia saberia viver longe do mar, em cidade que não terminasse assim num acidente, mas agonizando para todos os lados.

Chico Buarque - Budapeste, página 41 (Companhia das Letras)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O Dom da Poesia (Fragmento)


Deixa a palavra escorregar,

Como um jardim o âmbar e a cidra,

Magnânimo e distraído,

Devagar, devagar, devagar.
(1917)
Boris Pasternak


Abro as veias: irreprimível, Irrecuperável, a vida vaza. Ponham embaixo vasos e vasilhas! Todas as vasilhas serão rasas, Parcos os vasos. Pelas bordas - à margem - Para os veios negros da terra vazia, Nutriz da vida, irrecuperável, Irreprimível, vasa a poesia.(1934)
Tradução de Augusto de Campos
Nova Antologia Poesia Russa Moderna Editora Brasiliense/1985


Arte: Nathan Altman





Não, não sou eu, é alguém mais que sofre. Eu não teria podido. Panos negros de lã cubram

O que se passou, E levem embora os lampiões................................Noite.


"Portrait of Anna Akhmatova"


http://www.lumiarte.com/luardeoutono/annakhmatovaab.html