sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Guimarães Rosa

Guimarães Rosa escreveu os contos de Sagarana em 1937 . Os contos tratam das paisagens de Minas Gerais, dos bois, dos vaqueiros, dos jagunços, do bem e do mal. A linguagem poética e regional de Guimarães Rosa de destaca no conto "O Burrinho Pedrês". Quando conheci Codisburgo, em 2006, já era uma admiradora da obra desse grande escritor brasileiro. Mas me apaixonei realmente por Guimarães Rosa quando ouvi as meninas da região narrando suas histórias com aquele doce sotaque mineiro e com os olhos brilhantes de satisfação e orgulho. A versão definitiva do livro ficou pronta em 1946. O título do livro, Sagarana, remete-nos a um dos processos de invenção de palavras mais característicos de Rosa- o hibridismo. Saga é radical de origem germânica e significa "canto heróico", "lenda" ; rana vem da língua indígena e quer dizer "à maneira de " ou "espécie de ". As estórias desembocam sempre numa alegoria e o desenrolar dos fatos prende-se a um sentido ou "moral", à maneira das fábulas. Para entender Guimarães Rosa é preciso adentrar suas estórias, acompanhar a boiada, olhar nos olhos dos meninos, sentar à beira do rio... é preciso vê-lo como um poeta...
Guimarães Rosa e o Magma
Dircurso proferido por Guimarães Rosa em agradecimento ao premio concedido pela Academia Brasileira de Letras, ao livro de poesia Magma.
O poeta não cita: canta. Não se traça programas, porque a sua estrada não tem marcos nem destino. Se repete, são idéias e imagens que volvem à tona por poder próprio, pois que entre elas há também uma sobrevivência do mais apto . Não se aliena, como um lunático , das agitações coletivas e contemporâneas, porque arte e vida são planos não superpostos mas interpenetrados, com o ar entranhado nas massas de água, indispensável ao peixe—neste caso ao homem, que vive a vida e que respira arte. Mas tal contribuição para o meio humano será a de um órgão para um organismo: instintiva, sem a consciência de uma intenção, automática , discreta e subterrânea. Com um fosso fundo ao redor de sua turris ebúrnea, deixa a outros o trabalho de verificarem de quem recebeu informações ou influências e a quem poderá ou não influenciar. E o incontentamento é o seu clima, porque o artista não passa de um místico retardado , sempre a meia jornada. Falta-lhe o repouso do sétimo dia. Não tem o direito de se voltar para o já-feito , ainda que mais nada tenha por fazer. A satisfação proporcionada pela obra de arte àquele que a revela é dolorosamente efêmera : relampeja, fugaz, nos momentos de febre inspiradora, quando ele tateia formas novas para exteriorização do seu magma íntimo, do seu mundo interior. Uma tortura crescente, o intervalo de um rapto e um quase arrependimento. Pinta a sua tela , cega-se para ela e passa adiante. Se a surdes de Beethoven tivesse lhe trazido a infecundidade, seria um símbolo. Obra escrita—obra já lida---obra repudiada: trabalhar em comeias opacas e largar o enxame ao seu destino, mera ventura de brisas e de asas. Tudo isto aqui vem tão somente para exaltar a importância que reconheço ao estimulo que me outorgastes. Grande, inesquecível incentivo. O Magma, aqui dentro, reagiu, tomou vida própria, individualizou-se , libertou-se do seu desamor e se fez criatura autônoma , com quem talvez eu já não esteja muito de acordo ,mas a quem a vossa consagração me força a respeitar. Sou-lhe grato, principalmente, pelo privilégio que me obteve de poder --- sem demasiadas ilusões, mas reverente--- levantar a voz neste recinto, como um menino que depõe o seu brinquedo na superfície translúcida de uma água , para a qual a serenidade não é a estagnação, e cujo brilho da face viva nada rouba à projeção poderosa da profundidade.(...)
(Revista da academia brasileira de letras, anais de 1937, ano 29,vol 53, p.261 a 263)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sevket Yalaz/TurkeyFebruary,25,2008


Turgay Tuysuz / TurkeyFebruary,28,2008

Michael Kountouris/GreeceMarch,15,2008

Lattuf


Revolution


Composição: Lennon / McCartney
Revolução

Você diz que você quer uma revolução

Bem, você sabe..

Todos nós queremos mudar o mundo

Você me diz que isso é uma evolução

Bem, você sabe

Todos nós queremos mudar o mundo

Mas quando você fala em destruição,

Você já sabe que não pode contar comigo

Não sabe que vai acabar tudo bem?

Tudo bem.. tudo bem...

Você diz que você tem a solução real

Bem, você sabe..

Todos nós adoraríamos ver o plano

Você me pede uma contribuição

Bem, já sabe..

Todos nós fazemos o que podemos

Mas se você quer o dinheiro para pessoas que só tem ódio na mente

Tudo o que posso dizer, irmão, você vai ter que esperar

Não sabe que vai acabar tudo bem?

Tudo bem, tudo bem

Você diz que você mudará a constituição

Bem, você sabe..

Todos nós queremos mudar a sua cabeça

Você me diz que isso é a instituição,

Bem, você sabe..

É melhor você libertar sua mente

Mas se você vai andar com fotos do camarada Mao

Também não vai convencer a ninguém

Não sabe que vai acabar tudo bem?

Tudo bem, tudo bem....

Ah, ah ah ah ah ah ah ah ah ah

Tudo bem, tudo bem, tudo bem

Tudo bem, tudo bem, tudo bem

Tudo bem, tudo bem, tudo bem

Ah, ah ah ah ah ah ah ah

Tudo bem, tudo bem


You say you want a revolution

Well you know

We all want to change the world

You tell me that it's evolution

Well you know

We all want to change the world

But when you talk about destruction

Don't you know you can count me out

Don't you know it's gonna be

Alright

Alright

Alright

You say you got a real solution

Well you know

We'd all love to see the plan

You ask me for a contribution

Well you know

We're all doing what we can

But if you want money for people with minds that hate

All I can tell you is brother you have to wait

Don't you know it's gonna be

AlrightAlrightAlright

You say you'll change the constitution

Well you know

We'd all love to change your head

You tell me it's the institution

Well you know

You'd better free your mind instead

But if you go carrying pictures of

Chairman Mao

You ain't going to make it with anyone anyhow

Don't you know it's gonna be

Alright

Alright

Alrightoh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, alright,alright, alright, alright, alright, alright, alright,alright, alright, alright, alright, alright...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
Clarice Lispector

Clarice Lispector

"... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso."

Viver plenamente

“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”

Clarice Lispector

Lúcida em excesso

“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”. Clarice Lispector