segunda-feira, 30 de junho de 2008

Vamos
Caminhar
Conversar
Ver o que está por trás
Desse seu olhar

Saudade
Vontade
Amor?
Ausência

O que fazer de tudo que se desfez?

Vamos?

Cidadezinha Qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.

Carlos Drummond de Andrade

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 29 de junho de 2008

Vanessa da Mata

"Amanhã é longe demais
Pra quem não tem a eternidade..."
...
Eu não tenho chão
Eu não tenho casa
Eu não tenho pão
Tô vendendo as asas...
...
Você dita ao meu coração
O que ele não quer aprender, Zé
Você quer que o meu coração
Siga a tua receita só
Não, quero que aceite
O jeito que eu te dou de mulher
Não, e aproveite
O resto o tempo dá jeito...
...
Dá o seu gosto de desejo
Dá os seus olhos de menino
Sem regra ou comprometimento
Sem se importar com que for vendo...
...
Nossos corpos não conseguem ter paz
Em uma distância
Nossos olhos são dengosos demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam
Ilegais
...
Canto
Pra dizer que no meu coração
Já não mais se agitam as ondas de uma paixão
Ele não é mais abrigo de amores perdidos
É um lago mais tranqüilo
Onde a dor não tem razão

...

"Quando surge uma idéia, vou para a rua. Tenho prazer em conceber o poema no meio das pessoas que passam e nem suspeitam que ali, naquela hora ele está nascendo"
Ferreira Gullar

...

"Vamo simbora que o mundo arrudiou

E se eu ficar parado aqui eu não vou ..."


Chico Science

Márcia Tavares

"Toda brisa tem seu dia de ventania."


Vejo

Não tenho pressa
Nada espero
Nem de mim mesma
Nem de você.

Me tenho calma
como quem olha
e contempla a própria vida
a própria alma.

Menos

Eu falo como quem cala
espero o silêncio e o esquecimento
a dose que você me dá
é a mesma que lhe ofereço
nem mais
nem menos.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Guimarães Rosa

Ah, mas falo falso. O senhor sente? Desmente? Eu desminto. Contar é muito, muito dificultoso. Não pelos anos que se já passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas – de fazer balancê, de se remexerem nos lugares. O que eu falei foi exato? Foi. Mas teria sido? Agora, acho que não. São tantas horas de pessoas, tantas coisas em tantos tempos. Tudo miúdo recruzado. Se eu fosse filho de mais ação e menos idéias, isso sim, tinha escapulido...” (Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas).

Bandeiras...


quarta-feira, 25 de junho de 2008

(...)

Cansaço
confusão
turbilhão

Perto de você
longe da paz
e da calma
longe
da minha própria alma

Não posso
não quero
esquecer de mim
me perder
pra encontrar você
prefiro estar comigo
manter vivo os meus sentidos
tantos... tantos sentidos
sem sentido ainda

Mas o que importa?
Ser você e esquecer de mim
já não cabe no meu mundo.

Onde está sua alma?
Onde está sua visão...
para ver além de tudo que diante de você
é tão pequeno e vazio?

(...)

Mais... menos

Algo que me liberta
que me faz respirar
Me leva pra longe de você
mesmo com você tão perto.

Algo que não entendo
mas também...
nem tento

não importa
não importa nada

Nada faz mesmo sentido

E quanto mais confuso
mas atraente fica...

Longe

Longe de você...
e perto demais do que me aquece a alma.

terça-feira, 24 de junho de 2008

A flor e a náusea - Drummond

Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cizenta.

Melancolias, mercadorias, espreitam-me.

Devo seguir até o enjôo?

Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.

Vomitar este tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema

resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam pra casa.

Estão menos livres mas levam jornais

e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.

Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo

e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Áporo

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se

Carlos Drummon de Andrade


"Como pois interpretar, o que os heróis não contam? Como vencer o oceano, se é livre a navegação, mas proibido fazer barcos?".
Drummond

Nenhuma certeza hoje

Quando você esconde o seu lado amargo
e recupera a doçura do seu ser
chego a esquecer
a dor que um dia você deixou.

Você dorme como uma criança
e entrega o seu melhor sorriso
reacendendo minha alma cansada de você.

Mas há algo que ainda duvida dentro de mim
e me prende no conforto das certezas frias
que se acomodam com o tempo.

As memórias duras já são vagas
tão vagas como nuvens esparsas
Tão perdidas que já não fazem muito sentido.
Isso é bom?

domingo, 22 de junho de 2008

Pessoas

Pessoas que lutam consigo mesmas
Que preferem esquecer
pessoas que querem calar
e outras que preferem falar
pessoas que querem sentir
e outras que querem apenas ver o dia amanhecer
pessoas que não se importam
se há chuva ou sol
se há chuva, frio ou calor
Se é noite ou dia...

Mas há pessoas que querem
todos os sentimentos do mundo
saudade
dor
solidão
tristeza
alegria
esquecimento
Tudo para que a poesia continue a existir
na mente e no coração dos homens.

...

Eu cantaria pra você
e não esqueceria a letra
para que você ouvisse atentamente
a razão e o porquê
desse não esquecimento.

Essa saudade

Não sei o que se passa
Tudo que sei é que não existem certezas
Tudo é tão frágil
E tão mudo

As palavras são forçadas
Por que o silêncio é sempre maior que tudo

São pressentimentos
Que não me deixam esquecer
E não me deixam acreditar
Que não devo mais ocupar meus pensamentos com essa saudade.

Havia uma beleza ali

Havia uma beleza ali
que somente nossos olhos podiam ver
e sentir....

Somente no silêncio ela era visível
não eram necessárias palavras
nem antes
nem depois

O momento era tudo
e tudo estava completo naquele momento.

Não é verdade

Páginas soltas da vida
E uma saudade que é só sua
e de mais ninguém
dias soltos no passado
não tão distantes
em que você preenchia todos os vazios
Há coisas que eu só diria pra você
Sem receios
Sem meias verdades
No seu silêncio eu me veria
Nas suas mãos, me perderia.
Não é verdade que eu não mais sentiria você aqui
Não é verdade que eu não mais me exporia pra você
Mas olharia fundo nos seus olhos
E neles me perderia completamente
Sem hora pra voltar a ser dona de mim...

Antes

Você sabe o quanto tento mentir pra mim mesma sobre o que sinto...
O quanto você me importuna, mesmo estando ausente...
Sua ausência nunca é total, nunca é suficiente,
Você começa a falar... e.... se cala novamente,
Prefere assim
Para que eu não resista e volte a te procurar.
Eu já conheço seu jogo
Mas antes que amanheça eu volto a ter controle sobre mim
e então esquecerei o seu rosto
até que a saudade fria volte a bater.

domingo, 15 de junho de 2008

in Elogio da Dialética

"Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã".

Bertolt Brecht

sábado, 14 de junho de 2008

Certezas

Não há confusão nas horas
nem impaciência na janela
nem espera inquietante
apenas algumas certezas
de que há coisas que realmente permanecem
sempre fica um pouco.... de tudo fica um pouco... como dizia Drummond...

Paz

Há uma paz em estar com você
estar com você em paz é uma doce alegria para a alma
alma que chega a aquietar-se
e esquecer
tantas perturbações....

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Pouco

Eu deixo você olhar e acreditar
em mentiras sobre mim
não me importo em me sujar
pra poder brincar com você
já que seu mundo é tão distante
não há problema em expor meias verdades ou mentiras
se você não lê nas entrelinhas
não entende minha viagem
nem passeia em meus pensamentos
muito pouco pro que eu quero ser
muito pouco pro que eu quero fazer
muito pouco pro que eu quero sentir....

TSC

...

"Mas as coisas findas, muito mais que lindas... essas ficarão"
Drummond

Drummond


Mafalda


segunda-feira, 9 de junho de 2008

você ainda está ai...

vejo seu rosto
vc ainda esta aí...
como uma verdade distante
e ao mesmo tempo
tão perto....
e real
e viva
como uma voz
que nao cala
que nao quer calar
que nao tem medo
ATREVIDA
MISTA
VIVA
ninguem sabe
sei????
nada sei... só sei
que nao há certezas!!!!!!!!!!!!!!
tsc

Caminhos

História
passado
presente
futuro
nordeste
caminhos
e nascentes
vidas e mortes
montes e rios
você
nos sonhos e vidas
loucas e perdidas
vontades e verdades
bandeiras brancas em paus fortes
navegam nos mares
e você está onde mais ninguém consegue chegar.
é um sinal?

No silêncio

você é o oposto de tudo que cala
você fala
você ouve
você
vive
você
me faz sentir viva
mesmo sem saber...

Não mais

não mais me perderia em você...
você que cala e que esconde
o que traz no coração
coração nao tem alma?
cala?
mente?
consente?
não sente?

Onde você está

Em meio a tantos rostos

tantas existências

está você...

seu sorriso

e uma vontade

de apenas

te ouvir

e calar...

Caetano

Woke up this morning
Singing an old, old
Beatles song
We’re not that strong, my lord
You know we ain’t that strong
I hear my voice among others
In the break of day
Hey, brothers
Say, brothers
It’s a long long long long way
Os olhos da cobra verde
Hoje foi que arreparei
Se arreparasse a mais tempo
Não amava quem amei
Arrenego de quem diz
Que o nosso amor se acabou
Ele agora está mais firme
Do que quando começou
It's a long road
A água com areia brinca na beira do mar
A água passa e a areia fica no lugar
E se não tivesse o amor
E se não tivesse essa dor
E se não tivesse sofrer
E se não tivesse chorar
E se não tivesse o amor
No Abaeté tem uma lagoa escura
Arrodeada de areia branca

se você me perguntar

se você me perguntar
o que acontece quando penso em você
só saberia te responder
se você estivesse aqui....


se eu queria????
não mesmo... nem em meus piores pesadelos
pensaria em você
somente nesses momentos perdidos
que nao consigo controlar...

eu gostaria

que você
lesse
sentisse
percebesse
que o vinho
me faz pensar em você
como se num pecado
num pesadelo
que não tem fim
você responde
e vem até mim...

Fernando Pessoa

Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta coisa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.
Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.
(Fernando Pessoa)

A origem de todos os males????

Maio de 68

Mora...

Eu vou te dar a decisão
Botei na balança
E você não pesou
Botei na peneira
E você não passou
Mora na filosofia
Pra que rimar amor e dor

....

Não vou me preocupar em ver
Seu caso não é de ver pra crer
Ta na cara

Monsueto/Arnaldo Passos

Eu e eu mesmo

Eu tenho os olhos do sonhador
a voz dos loucos
as palavras dos sábios
o silêncio dos vencidos...

eu tenho o cheiro da sua saudade
tenho as cores do seu sorriso
tenho a beleza dos seus passos


ondes estás
e calas
mas falas
na noite
de repente

confusão de sentidos
vazios
preenchidos
com quem? por quem?

se está certo?
errado está?
porque estaria?
sem noites... sem certezas... sem rimas...

tsc

Quando

Quando eu me fartei do seu olhar
e me perdi no seu sorriso
quando me calei no teu silêncio
e quando quebrei teu silêncio
com minha sede de você

quando fiz que não entendi
que você queria algo que eu não queria
ou o contrário...
quando tudo se perdeu...
mas nada havia sido encontrado
nada havia sido
nada
nada
silêncio
palavras
silêncio
coisas
mudas
sujas
lindas
próximas
distantes
cheias de cores
recebidas
preenchidas
vivas...

Um pouco de mim

um pouco de mim
um pouco de ti
um pouco
um pouco de tudo
de tudo que se vai
de tudo que nunca se foi
de tudo que cala
e de que se fala
de tudo que nao se entende
porque nao se quer ver
TSC

Vim que venha

"Não dá nem prá entender
Quem tem que vir que venha
Quem tem que ir que vá
E quando morre a gente fica chorando
E quando nasce a gente ri
Mas quem nasce chora e quem morre sorri...."

Karnak

................

Um silêncio
e a vida se vai
outras chegam
alegrias e tristezas
lembranças
infância
feliz
vida
muita vida
sol, paz, aconchego
segurança
amor
muito amor
que não acaba
não vai embora
fica
faz morada
amor em paz
saudade e dor
tempo, tempo, tempo, tempo....