quinta-feira, 26 de novembro de 2015

no fundo tudo isso sempre foi sobre você
sempre foi para você
sempre foi você...

sábado, 21 de novembro de 2015

Drummond, Brecht, Neruda, García Lorca, Octávio Paz, Pessoa...
Poesia na madrugada...

Elefante



Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.

Mas há também as presas,
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.

Eis o meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê em bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.

Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.

É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.

Mas faminto de seres
e situações patéticas,
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.

E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.


Carlos Drummond de Andrade
Tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice
Dessa eterna falta do que falar...

Cazuza

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Charles Bukowski, sobre tempo livre...


TEMPO LIVRE:

“É muito importante e temos que parar por completo, não fazer nada por longos períodos para não perdê-los inteiramente. Ficar na cama olhando o teto. Quem faz isso nesta sociedade moderna? Pouquíssimas pessoas. Por isso é que a maioria está louca, frustrada, enojada e com ódio. Antes de me casar, ou de conhecer muitas mulheres, eu baixava as cortinas e me punha na cama por três ou quatro dias. Levantava só para ir ao banheiro e comer uma lata de feijão. Depôs me vestia e saía à rua. O sol brilhava e os sons eram maravilhosos. Me sentia poderoso como uma bateria recarregada.”

Buk entrevistado por Sean Penn

Charles Bukowski, sobre solidão

SOLIDÃO:

”Nunca me senti só. Durante um tempo fiquei numa casa, deprimido, com vontade de me suicidar, mas nunca pensei que uma pessoa podia entrar na casa e curar-me. Nem várias pessoas. A solidão não é coisa que me incomoda porque sempre tive esse terrível desejo de estar só. Sinto solidão quando estou numa festa ou num estádio cheio de gente. Cito uma frase de Ibsen: ‘Os homens mais fortes são os mais solitários’. Viu como pensa a maioria: ‘Pessoal, é noite de sexta, o que vamos fazer? Ficar aqui sentados?’. Eu respondo sim porque não tem nada lá fora. É estupidez. Gente estúpida misturada com gente estúpida. Que se estupidifiquem eles, entre eles. Nunca tive a ansiedade de cair na noite. Me escondia nos bares porque não queria me ocultar em fábricas. Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.”

Buk entrevistado por Sean Penn
ah mas as coisas estão ficando confusas demais
já não entendo nada
vou ficar de canto, só observando
a folha cair
o vento soprar...
as verdades se firmarem
a noite cair
é madrugada
e eu agora perdi o sono de vez....
eita...

terça-feira, 17 de novembro de 2015

na noite solitária...
você está ouvindo meu coração bater...

melhor nem dizer
as vezes é só o começo
algo simples....


(...)


É apenas o começo. Só depois dói,
e se lhe dá nome.
Às vezes chamam-lhe paixão. Que pode
acontecer da maneira mais simples:
umas gotas de chuva no cabelo.
Aproximas a mão, os dedos
desatam a arder inesperadamente,
recuas de medo. Aqueles cabelos,
as suas gotas de água são o começo,
apenas o começo. Antes
do fim terás de pegar no fogo
e fazeres do inverno
a mais ardente das estações.

Eugénio de Andrade

bob dylan The Girl From The Red River Shore

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Hey You - Pink Floyd



Hey you,

Out there in the cold,

Getting lonely, getting old,

Can you feel me?



Hey you,

Standing in the aisle,

With itchy feet and fading smile,

Can you feel me?



Hey you,

Don't help them to bury the light.

Don't give in, without a fight.



Hey you,

Out there on your own,

Sitting naked by the phone,

Would you touch me?



Hey you,

With your ear against the wall,

Waiting for someone to call out,

Would you touch me?



Hey you,

Would you help me to carry the stone?

Open your heart, I'm coming home.



But it was only, fantasy.

The wall was too high, as you can see.

No matter how hard he tried, he could not break free.

And the worms ate into his brain.



Hey you,

Out there on the road,

Always doing what you're told,

Can you help me?



Hey you,

Out there beyond the wall,

Breaking bottles in the hall,

Can you help me?



Hey you,

Don't tell me there's no hope at all.

Together we stand, divided we fall

sábado, 14 de novembro de 2015

eu fiquei pensando que não consigo olhar nos seus olhos
olhar mesmo, sabe?
encarar, ficar de frente
não consigo...
trato de ocultar
de dizer
de sentir...

It's a Long Way - Caetano Veloso

juro que não queria que você estivesse ali
nos meus pensamentos e sentimentos mais escondidos
mais velados
até eu me assusto com isso
pode crer...



Você disse que não sabe se não

Mas também não tem certeza que sim

Quer saber?

(...)

Djavan
me desculpe...
desculpas veladas
escondidas
só você vai entender
espero...
não pude evitar
quando dei por mim
já tinha dito
o que ardia em mim
sem ver dia nem hora
nem lugar
e disse
mas pode esquecer tudo
se assim você quiser
que até a próxima vez que eu sair de mim
eu me esqueço também... 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

não saber o que fazer.... não saber aonde ir... mas saber o que evitar...

Lenine Labiata

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Quase um segundo

Eu queria ver no escuro do mundo
Aonde está o que você quer
Pra me transformar no que te agrada
No que me faça ver

Quais são as cores e as coisas pra te prender
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei

Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?

Às vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teus pelos, teu gosto, teu rosto, tudo
Tudo que não me deixa em paz

Quais são as cores e as coisas pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei

Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?

Cazuza
//você aparece na madrugada
e destrói todas as minhas defesas//

eu queria te dizer...
ou melhor... não queria precisar dizer!
é isso!
e só! 

terça-feira, 10 de novembro de 2015


o olhar e o silêncio...
o sorriso
o café
e as conversas
o trem
a livraria
a dança
as mãos...

Before Sunset.2004. Beautiful Song

Janis Joplin - Ball & Chain - Monterey Pop

o que eu queria te dizer
te disse com meias palavras
com olhares perdidos
com músicas antigas
disse em pensamento
em sensações
em versos escondidos...
como este... 

sábado, 7 de novembro de 2015

Não consigo olhar no fundo dos seus olhos
E enxergar as coisas que me deixam no ar, deixam no ar
As várias fases, estações que me levam com o vento
E o pensamento bem devagar (...)

De janeiro a janeiro
Nando Reis 

Viviam Maier


Vivian Maier

Assisti ao filme A Fotografia oculta de Vivian Maier, que um amigo já me havia recomendado. Uma personagem misteriosa e muito interessante. Uma babá fotógrafa ou uma fotógrafa babá? A pessoa por trás da pessoa... John Maloof garimpava material iconográfico para a elaboração de um livro e acabou encontrando negativos esparsos num caixote que mostravam cenas urbanas dos anos 1960. Até então Vivian Maier não existia... simplesmente ninguém conhecia seu belo trabalho de fotógrafa... todos no filme, que dão testemunhos por tê-la conhecido, ficam impressionados com o achado de Maloof, não me parecem pessoas tão interessantes quando Vivian... não estavam preparados para ver aquela mulher para além do ofício de babá... Parece que jamais mostrou o seu trabalho para quem quer que fosse, seu trabalho de fotógrafa era silencioso.... e somente as crianças de quem cuidava a viam tirar as fotos. O filme revela que ela também gravava entrevistas com pessoas que encontrava nas ruas, nos mercados... e em uma dessas entrevistas ela fala da mulher, que a mulher deveria ter uma opinião formada sobre tudo, sobre o país, sobre a política... pessoa muito interessante, um enigma, uma vida que se revela em forma de fotografia, era a sua forma de resistir, de ser...

A Fotografia Oculta de Vivian Maier – Legendado

Apenas mais uma de amor



Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim, ficar
Subentendido

Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato, baby
A beleza é mesmo tão fugaz

É uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma ideia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
E eu vou sobreviver
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Lulu Santos

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Este seu olhar

Este seu olhar quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar, é pensar que você
Gosta de mim como eu de você

Mas a ilusão quando se desfaz
Dói no coração de quem sonhou
Sonhou demais, ah! se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos...

Tom Jobim

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem

Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa (...)

Lenine