quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Acalanto/ Chico Buarque

Dorme minha pequena
Não vale a pena despertar

Eu vou sair
Por aí afora
Atrás da aurora
Mais serena

Sem Fantasia/ Chico Buarque

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer

Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus

Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer

De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

É como se eu não existisse, como se não houvesse lugar aonde eu pudesse estar...
E eu queria estar aonde a chuva não me deixou...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Voar

Acho que a televisão é muito educativa. Todas as vezes que alguém liga o aparelho, vou para a outra sala e leio um livro.

Groucho Marx

Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.

Machado de Assis

Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.

Clarice Lispector

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

(...)


Cartola

Você não entende nada
não entende quando eu falo
não entende quando eu calo
Não entende...
Nada!
Eu não estou
Aonde você está!
Há vozes, sons que me lembram você...
Há palavras que deviam nunca ser ditas...
Deviam ficar no silêncio,
Não devia lembrar
nem sentir
devia esquecer...

(...)

Seu Jorge:

"Eu fico imaginando coisas
Me pego imaginando coisas
Eu fico imaginando coisas
Me pego imaginando coisas"
(...)
"O tempo é quem vai dizer
A vida quem quis assim
Não sou capaz de entender"
(...)
"Não dá pra mim
Eu vou voar
Melhor assim"

...................



Seu Olhar - Seu Jorge

Temos rotas a seguir
Podemos ir daqui pro mundo
Mas quero ficar porque
Quero mergulhar mais fundo

Só de me encontrar no seu olhar
Já muda tudo
Posso respirar você
E posso te enxergar no escuro

Tem muito tempo na estrada
Muito tem
E como quem não quer nada
Você vem
Depois da onda pesada
A onda zen
É namorar na almofada
E dormir bem

(Refrão)

Foi o seu olhar
O que me encantou
Quero um pouco mais
Desse seu amor... (2x)

Você é pra onde eu fujo quando tudo parece sem gosto... sem sabor...

Muitas palavras...
e você não disse nada...
Meias palavras
palavras inteiras
palavras perdidas
palavras
palavras que se perdem
palavras que não quero ouvir
palavras que quero ouvir
palavras vazias
palavras ao vento...
palavras...
Não sei o que dizer
por isso...
me calo!
Sou eu
Não sou você
Não sou ninguém
Sou eu mesma
E assim
Tudo sou
Realmente,
a solidão alimenta o poeta....
Nada sei
Nada entendo
Vivo
Calo
E sigo em frente...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

E eles tinham laços. Tinham intimidade. Tinham verdades que ninguém mais tinha. Nada era bom o bastante fora desses laços.... mas mesmo assim, tudo se perdeu!
Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada.

Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.

Fernando Pessoa
Tragam-me esquecimento em travessas!
Quero comer o abandono da vida!
Quero perder o hábito de gritar pra dentro.
Arre, já basta! Não sei o quê, mas já basta...

Fernando Pessoa
Vou atirar uma bomba ao destino.
Fernando Pessoa.
Não há nada a ser dito,
talvez nem a ser escrito...
podem ser palavras vazias
vazias de mim, vazias de você
vazias disso tudo que restou,
porque tudo isso é nada!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Clara
Tatiana
Clareana
Morena-Clara
Clara-Morena
Mãe
Amor verdadeiro
Amor pra toda vida
Amor pra muitas vidas
Amor

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Não vou te dizer o que penso
não vou te dizer o que sinto
não te direi nada!
Pra ti só restou o meu silêncio!
Madrugada
vento frio enfim
separar tudo que sinto de tudo que penso
escrevi muitas coisas
que nunca foram lidas
quando sou eu mesma
sou sempre só
necessária solidão
a imperfeição das palavras
dos gestos
das vontades
um olhar
e tudo está dito!

Alberto Caeiro

(...) Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho (...)

Alberto Caeiro

(...) Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso. (...)

Um tempo que passou

Vou
Uma vez mais
Correr atrás
De todo o meu tempo perdido
Quem sabe, está guardado
Num relógio escondido por quem
Nem avalia o tempo que tem (...)

Chico Buarque

Fernando Pessoa

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.


João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


Manuel Bandeira
A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. (...)

Vinícius de Moraes

Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.

Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu

(...) Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos á2o anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”,feito Pessoa. Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.

Enrolado num capotão da Segunda Guerra, naquela tarde em Notre-Dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. Parei numa vitrina cheia de obras do conde Saint-Germain, me perdi pelos bulevares da le dela Cité. Então sentei num banco do Quai de Bourbon, de costas para o Sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. Na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camilie Claudel a Rodín, em 1886. Daquela casa, dizia aplaca, Camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. Perdida de amor, de talento e de loucura.

Fazia frio, garoava fino sobre o Sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. Tomei um Calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de Egon Schiele enquanto a frase de Camille assentava aos poucos na cabeça. Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta. (...)


A Arte de Amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manuel Bandeira

Realce

Não se incomode
O que a gente pode, pode
O que a gente não pode explodirá
A força é bruta
E a fonte da força é neutra
E de repente a gente poderá
Realce (...)

Gilberto Gil

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O Homem, As Viagens

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
(...)
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto - é isto?
(...)
Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar
Ao acabarem todos só resta ao homem (estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.”
(In As Impurezas do Branco. José Olympio,1973)

Drummond

Um pouco de humor

Vou pedir licença para colocar um pouco de humor (infantil) nesta página. O filme O bicho vai pegar, tem uma cena impagável. Elliot, um cervo magrelo e tagarela, canta pro urso Boog dormir:

"Era uma vez um elfo encantado que morava num pé de caqui, em cima morava um duente safado que vivia fazendo xixi, um dia o elfo se aborreceu e na porta do duende bateu e foi nessa ocasião que eles então se casaram".

Vale a pena ver e ouvir!!! E rir muito também!!!

alecrim


Alecrim, alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado

Foi meu amor,
que me disse assim:
"Que a flor do campo,
é o alecrim".

O alecrim é uma erva de aroma delicioso, ótimo para sopas, tempero de carnes e também como chá. Um raminho jogado na água do arroz, enquanto este está em cozimento, dá um toque especial ao prato. Experimente, e bom apetite!



sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Como um tempo de alegria,por trás do terror me acena,... E a noite carrega o dia, no seu colo de açucena.......... Sei que dois e dois são quatro, Sei que a vida vale a pena,.... mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena...

Ferreira Gullar

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava

Chico Buarque

domingo, 3 de janeiro de 2010

Da Felicidade

Quantas vezes a gente,em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão,por toda parte,os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!

Mário Quintana
Um passo de cada vez...
Mas amanhã preciso dar uns 10.....


Consolo na praia

Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o 'humour'?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.

Drummond

"E eu, insisto em que toda e qualquer crítica deve
ser isso, ser principalmente isso: um ato de amor."

Mário de Andrade

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Será essa, se alguém a escrever,
a verdadeira história da humanidade.
O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo;
O que há somos nós, e a verdade está aí.
Sou quem falhei ser.
Somos todos quem nos supusemos.
A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.
Que é daquela nossa verdade – o sonho à janela da infância?
Que é daquela nossa certeza – o propósito a mesa de depois?
(...)

Fernando Pessoa