domingo, 17 de fevereiro de 2008

Guimarães Rosa


"Mas nada disso vale fala, porque a estória de um burrinho, como a história de um homem grande, é bem dada no resumo de um só dia de sua vida. E a existência de Sete-de-Ouros cresceu toda em algumas horas - seis da manhã à meia-noite - nos meados de mês de janeiro de um ano de grandes chuvas, no vale do rio das Velhas, no centro de Minas Gerais".


"Tinha cometido um erro. O primeiro engano seu nesse dia. O equívoco que decide o destino e ajeita o caminho à grandeza dos homens e dos burros. Porque: ' quem é visto é lembrado', e o Major Saulo estava ali..."


(O Burrinho Pedrês)

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"Fiz o caminho. Sem tomar direção, sem saber do caminho. Pé por pé, pé por si. Deixei que o caminho me escolha. Na travessia, só silêncio. O nenhuns-nada. O alegre, mesmo, era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma. Nessa estrada, salvou-me a palavra".


João Guimarães Rosa


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