sábado, 23 de fevereiro de 2008

Dez chamamentos ao amigo

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo Entendo que sou terra.
Há tanto tempo
Espero Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu.
Pastor e nauta Olha-me de novo.
Com menos altivez.
E mais atento.

Hilda Hilst

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