quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pro dia nascer feliz

Pro dia nascer feliz é um filme sobre educação, educação no Brasil. O filme foi feito entre 2004 e 2005 e lançado em 2006. A direção é de João Jardim. Em forma de documentário, dando voz à alunos, professores e diretores, o filme passeia por escolas em diferentes estados brasileiros: Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Entre as escolas públicas e de periferia, uma escola particular, uma realidade muito diferente das demais abordadas no filme. O que acontece com nossas escolas? No filme vemos professores, alunos e diretores perdidos, vivendo conflitos pessoais e coletivos, procurando, ou não, uma saída. O abismo entre a escola pública e a particular salta aos olhos. A aluna Valéria, de Pernambuco, que tinha que viajar mais de 30 km para chegar à escola (sendo que, mais de duas vezes por semana, o ônibus que a levava quebrava) e cursar o ensino médio nos dá uma lição de vida. Em trecho de texto de Valéria publicado no site do Museu da Pessoa percebemos o quanto ela tem consciência das desigualdades presentes em nosso país:

"Minha vida tomou um outro rumo depois da participação neste filme, vejo como as pessoas ficam tomadas pela perplexidade quando o assistem, a angústia torna-se algo gritante. Enquanto crianças e jovens continuam sem a educação, nossos representantes permanecem em seus castelos, cumprindo apenas as etiquetas da corte. Hoje tenho 19 anos e estou morando em Recife, trabalho num centro de ensino experimental, numa biblioteca e num espaço de mídia e educação.

O que me deixa mais feliz é saber que graças ao filme a escola de Manari foi reconstruída. Sei que ainda há muito o que se fazer para mudar esse quadro educacional do país, sei também que a luta não vai ser fácil, mas estou disposta a tirar a educação desse casulo e fazer que ela chegue a todo o povo. Às vezes me bate uma saudade do sertão, um desejo de sair pelas ruas e cumprimentar as pessoas, de voltar à escola, rever minha família, meus amigos e professores. Mas lembro-me que é também por eles que estou aqui."

No filme de João Jardim, Valéria diz que seus colegas a acham diferente porque gosta de ler. No inesquecível final, declama um poema feito à maneira da Canção do Exílio de Gonçalves Dias. Ouça o poema composto e declamado por Valéria: http://www.museudapessoa.net/historias/historias_ontemehoje_07_07_08.shtml.

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