terça-feira, 11 de agosto de 2009

VLADIMIR - Eu estava dormindo, enquanto os outros sofriam? Estarei dormindo agora? Amanhã, quando eu estiver pensando que acordei, que direi do dia de hoje? Que junto com Estragon, meu amigo, neste lugar, até o cair da noite, eu esperei por Godot? Que Pozzo falou com seu carregador e falou conosco? Sem dúvida. Mas o que haverá de verdade em tudo isso? (Estragon, que tentara em vão tirar os seus sapatos, cochilou de novo. Vladimir o contempla.) Ele não saberá de nada. Ele falará dos golpes que recebeu e eu lhe darei uma cenoura. (Pausa.) Escarranchado sobre um túmulo e um nascimento difícil. Do fundo do buraco, indolentemente, o Coveiro aplica seu fórceps. Temos tempo para envelhecer. O ar está cheio de nossos gritos. (Escuta.) Mas o hábito é um grande abafador. (Olha Estragon.) Também para mim alguém está olhando, também de mim alguém estará dizendo: Ele está dormindo, ele não sabe nada, deixe-o dormir. (Pausa.) Não posso continuar. (Pausa.) O que foi que eu disse? (Esperando Godot - Samuel Beckett)

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