quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Agora já não precisava ouvir. Sabia que isso não poderia durar, mas no momento seus olhos estavam tão límpidos que pareciam circular pela mesa desvendando o interior das pessoas, seus pensamentos e seus sentimentos, sem esforço, como uma luz que penetra furtivamente sob a água e ilumina os juncos imersos, os barrigudinhos se movendo e a truta rápida e silenciosa, em todo o seu frêmito e em todas as suas ondulações. Era assim que os via e ouvia; mas tudo o que diziam também tinha essa capacidade de se assemelhar ao movimento de uma truta, quando a ondulação da água e o cascalho do fundo, alguma coisa à direita e à esquerda, são percebidos de um só relance; pois – enquanto na vida ativa ela unia e dissociava uma coisa da outra, afirmava que gostava dos romances de Scott ou que não os tinha lido, sentindose pressionada a ir adiante – agora ela não dizia nada. No momento permanecia em suspenso. (p. 113)

Rumo ao Farol. Virginia Woolf

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