quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Cem anos de Solidão

Um dos livros mais bonitos e interessantes que já li foi "Cem anos de Solidão", de Gabriel Garcia Marquez. A história se passa na cidade imaginária de Macondo, e conta a trajetória de seus fundadores liderados pela família Buendia-Iguaran. José Arcadio Buendía é o patriarca da família e Úrsula Iguarán a matriarca. Trata-se de um casal de primos, que se casaram assustados pelo mito de que o casamento entre familiares poderia gerar filhos com rabos de porco. O casal tem três filhos: José Arcadio, Aureliano Buendía e Amaranta. Aliás, ao longo da leitura descobrimos outros José Arcádios, Aurelianos e Amarantas, como se o tempo não passasse, ou se repetisse através das novas gerações. Com a chegada dos ciganos a Macondo entramos em contato com um personagem misterioso e que se fará presente em diferentes situações na história, fazendo-nos mais uma vez perder a noção de tempo. Seu nome é Melquíades e sua relação com a família é tão próxima que passa a ter na casa dos Buendia um quartinho só seu, local mágico onde o tempo não se faz sentir. Ele carregava consigo as escrituras que prediziam o futuro da família. O tema central da obra é a solidão, solidão esta que todos os membros da família, de formas distintas, passam a ter com ela grande intimidade. A casa, o principal cenário onde a maior parte das histórias acontecem, passa por várias transformações e carrega consigo os fantasmas daqueles que já se foram.

“O Coronel Aureliano Buendía arranhou durante muitas horas, tentando rompê-la, a dura casca da sua solidão. Os seus únicos momentos felizes, desde a tarde remota em que seu pai o levara para conhecer o gelo, haviam transcorrido na oficina de ourivesaria, onde passava o tempo armando peixinhos de ouro. Tivera que promover 32 guerras, e tivera que violar todos os seus pactos com a morte e fuçar como um porco na estrumeira da glória, para descobrir com quase quarenta anos de atraso os privilégios da simplicidade”.


Na solidão extrema dos Buendia percebemos em várias situações os "privilégios da simplicidade"... Aliás, cada personagem descobre sua própria forma de sobreviver e conviver com a solidão.

"Por muito tempo Aureliano não abandonou o quarto de Melquíades. Aprendeu de cor as lendas fantásticas do livro sem capa, a síntese dos estudos de Hermann, o tímido, os apontamentos de ciência demonológica, as chaves da pedra filosofal, as predições de Nostradamus e as suas pesqusias sobre a peste, de modo que chegou à adolescência sem saber nada da sua época, mas com os conhecimentos básicos do homem medieval. A qualquer hora que entrasse no quarto, Santa Sofía de la Piedad o encontrava absorto na leitura."

Assistimos a fundação de Macondo, acompanhamos a trajetória dos Buendía, a evolução histórica de uma parte da civilização, a chegada do cinema, do trem, dos conflitos políticos, da invasão do capitalismo americano, da indiferença daqueles que se julgam mais fortes, da manipulação da história... Tudo isso através de um universo mágico, triste e envolto de poeira e saudade. Tudo aliás cheira a saudade e remete a destruição. Macondo permanece na memória como um sonho distante...

Autor: Gabriel García Márquez
Páginas: 384
Tradução: Eliane Zagury
Biblioteca Folha

Um comentário:

  1. Opa, fiquei muito interessado. Muito boa a descrição sobre a obra. Bj

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